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Empresa irregular, em Chapecó, recebia resíduos da BRF

A empresa Grão Fértil Fertilizantes Ltda, de Chapecó, flagrada com operações irregulares pela Polícia Militar Ambiental, pelo Instituto de Meio Ambiente (IMA) e pela Cidasc, recebia resíduos, como restos de animais, de ovos e outros, da BRF.

A transportadora dos materiais é a empresa Ambipar. Imagens dos caminhões da Ambipar, entrando e saindo da Grão Fértil, foram feitas pela reportagem do Notícia Hoje. O sistema é basicamente o mesmo já noticiado por este portal no mês de novembro de 2021. A Ambipar coleta os resíduos (restos de animais e de ovos, por exemplo) e encaminha para empresas de compostagem e armazenamento.

Em novembro, uma nota da BRF afirmava que a empresa encaminha seus resíduos para locais devidamente licenciados e homologados. Agora, questionada, a empresa voltou a afirmar que “trabalha sempre com locais devidamente licenciados e homologados e que recebem a autorização do órgão ambiental, quando aplicável, conforme regramento legal sobre a disposição de resíduos sólidos” (confira a nota completa, na íntegra, abaixo).

Entretanto, de acordo com a PM Ambiental e com o IMA, a Grão Fértil despejava os resíduos de forma totalmente irregular. Uma matéria sobre o assunto foi divulgada nas redes sociais dos órgãos em questão. 

Mesma situação foi flagrada, em novembro de 2021, em um depósito no município de Passos Maia. Lá, como acontecia em Chapecó, a Ambipar era a responsável pelo transporte dos resíduos da BRF, vindos, principalmente, de Concórdia. 

Documentos públicos, disponíveis na internet, mostram que a Grão Fértil não podia receber resíduos líquidos, como eram os transportados pela Ambipar, vindos da BRF.

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O que diz a BRF

A BRF se manifestou através de uma nota, por meio da sua Assessoria de Comunicação:

“A BRF iniciou uma avaliação interna, incluindo a solicitação de todos os esclarecimentos à Ambipar, fornecedor responsável pelo transporte e destinação do material para a empresa Grão Fértil, de Chapecó.

Ao tomar ciência do ocorrido, a Companhia determinou a suspensão do envio de resíduos pela Ambipar para a área operada pela Gran Fértil e a utilização de outro fornecedor homologado. O local, cabe ressaltar, era utilizado também por outras empresas da região. 

A BRF reforça que trabalha sempre com locais devidamente licenciados e homologados e que recebem a autorização do órgão ambiental, quando aplicável, conforme regramento legal sobre a disposição de resíduos sólidos. A Companhia prezando pela integridade, transparência e gestão sustentável em toda a cadeia de valor e está colaborando com as investigações das autoridades do caso”.

O que diz a Ambipar

Já a Ambipar, novamente, ignorou o pedido de esclarecimento enviado por este Portal. As questões não respondidas e enviadas também por e-mail, no dia 4 de maio, são:

“Em novembro passado, o Portal Notícia Hoje fez reportagens mostrando o destino final de resíduos da BRF, transportados pela Ambipar, para aterro irregular e com várias falhas nos veículos de transporte.

Entretanto, novamente, esta prática se repetiu, tendo, inclusive, a empresa Grão Fértil, em Chapecó, sido notificada pela Polícia Ambiental, pelo Instituto de Meio Ambiente e pela Cidasc.

Perguntamos:

– A Ambipar está tentando ludibriar as autoridades, mudando o endereço das destinações dos resíduos, mas sempre com empresas que não possuem licenciamento adequado nem capacidade de processo?

– Qual é a responsabilidade ambiental da Ambipar a partir do momento em que destina os resíduos para empresas irregulares?

– Quais medidas foram tomadas a partir do momento da notificação da Grão Fértil pelos órgãos competentes?

– Para onde a Ambipar está destinando os resíduos neste momento? Esta empresa tem todas as licenças necessárias?”

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