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Viúva de PM morto, em Tangará, ao tentar evitar briga o eterniza em tatuagem: ‘heróis viram lendas’

O telefone tocou por volta das 5h da manhã do dia 3 de dezembro de 2022. Do outro lado da linha, Isabela Farias, de 25 anos, recebeu a notícia de que o marido, o soldado da PM (Policial Militar), Marcos Alberto Burzanello, de 34 anos, estava em estado grave após ser atingido por um tiro em uma casa noturna de Tangará.

Ao chegar no hospital, precisou encarar a dura realidade da informação da morte do grande amor de sua vida. Um mês passou desde que a vida da viúva e da família do soldado mudou completamente.

“O Marcos era um cara maravilhoso, o foco da vida dele era estudo e família. Era um pai maravilhoso, os banhos da Lívia [filha do casal] ele quem dava. Sempre muito responsável com ela”, conta a viúva.

Isabela lembra que há cerca de seis meses Marcos e um parceiro de viatura receberam mérito por salvar um menino que pulou de uma ponte. “Ele sempre foi responsável com tudo e sempre que alguém precisava de ajuda ele ia. Não pensava muito para ajudar os outros”.

O crime

O policial foi brutalmente agredido e atingido por um tiro na perna ao tentar separar uma briga generalizada na noite do dia 2 de dezembro. Um grupo de pessoas teria iniciado a briga no banheiro da boate. Os envolvidos foram convidados pelo segurança [amigo de Marcos] a se retirar do local. Porém, a confusão continuou e os agressores partiram para cima do segurança.

Ao perceber a confusão, Burzanello, que estava de folga, interviu tentando acalmar os ânimos e separar a briga. Porém, também passou a ser alvo das agressões. Câmeras de monitoramento próximo ao local flagraram a violência das agressões.

O tiro atingiu a coxa da perna esquerda. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Tangará, mas devido à gravidade da lesão, foi transferido para o HUST (Hospital Universitário) em Joaçaba, onde não resistiu e morreu.

“Eu só queria me despedir do amor da minha vida, mas não tive essa oportunidade. Antes de morrer, ele pediu para o amigo dar um beijo nela [na filha] e dizer que foi muito feliz comigo”, lembra a viúva.

História de amor

Isabela e Marcos estavam casados há cinco anos e juntos tiveram uma filha, Lívia, hoje com 4 anos.

Os dois se conheceram em 2015, quando Isabela foi até Videira visitar uma tia que é podóloga e atendeu Marcos. Foi nesse dia que os olhares se cruzaram. Era 31 de dezembro de 2015 e naquela noite os dois participaram de um show da virada em Treze Tílias, município vizinho.

“Era para ser, o destino nos colocou no mesmo lugar. A partir daquele dia eu sabia que ele ia ser o amor da minha vida. Em 2017 me mudei definitivamente e ficamos juntos”, conta.

Na noite do crime, Burzanello saiu de casa para dar uma volta, pois estava muito feliz com a aprovação no trabalho de conclusão de curso da faculdade. Ele acabou indo no evento que o amigo trabalhava como segurança.

A última troca de mensagens com a esposa foi por volta da 1h30 da madrugada. “Ele disse: amor, tô quase indo para casa você está dormindo? A Lívia está bem? Amo vocês duas”, lembra Isabela.

No dia 20 de dezembro a filha do casal completou 4 anos e a maior dor de Isabela foi não ter o esposo, e pai de Lívia, junto.

“Ela fala do pai com muito orgulho. Diz que não queria que o papai virasse estrelinha. Ao anoitecer, sai correndo na sacada para ver a estrelinha mais brilhante, que é o pai dela. É um misto de saudade e lembranças do que foi e não poderá mais ser igual. Não é fácil lidar com o sentimento de uma criança que só queria o pai perto”, relata.

O pai de Burzanello também sente diariamente a falta do filho e tem orgulho do homem que foi. “Meu sogro diz que ele era o único amigo”, conta Isabela.

Para homenagear o esposo, Isabela fez uma tatuagem eternizando-o em sua pele. Na frase: “Heróis não morrem, viram lendas”, ela guarda com carinho os momentos vividos juntos. “Eu, como mulher, só tenho lembranças boas. Ele era um marido maravilhoso, sempre fazendo tudo por nós. Ele será o meu para sempre que não pôde ser, o amor da minha vida”.

Inquérito policial concluído

Segundo o delegado de Polícia Civil, Giovani Angelo Dametto, o inquérito policial sobre o caso da morte do soldado foi concluído e ajuizado. Os oito acusados pela morte do policial [seis homens e duas mulheres] foram indiciados por homicídio doloso qualificado e sete estão presos.

Com exceção de uma mulher que está com o mandado de prisão em aberto, pois está foragida. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário. A família do soldado espera por justiça e que os autores sejam responsabilizados pelo crime.

Com informações ND Mais 

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