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Vídeo: ?Tive mais medo da Polícia do que dos bandidos?, diz motorista sequestrado em São Paulo

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O drama vivido por Juliano Rotta, que foi sequestrado e teve seu caminhão roubado em São Paulo, não acabou mesmo depois de ter sido libertado pelos bandidos no final da tarde de sábado, 3, na marginal Tietê, próximo da rodoviária. “Tive mais medo da Polícia do que dos bandidos”, afirmou, se referindo à maneira como foi tratado pelos policiais da DEIC.

O caminhoneiro, que tem 15 anos de experiência, esperava os familiares na rodoviária quando foi abordado por um homem que se identificou como sendo policial. Levado até a Delegacia, Juliano deu depoimento, mas o problema foi na volta.

“Eles começaram a me ameaçar, dizendo que iam me matar, que o caminhão tinha sido vendido, porque de 50 casos em São Paulo, 48 são vendas. Eu disse pra eles então que o meu então está entre os dois que não são vendas”, explicou Juliano.

Juliano lembrou que procurou agir com a maior transparência possível para que os policiais deixassem a desconfiança de lado, o que acabou dando certo.

Antes disso, o caminhoneiro contou como foi abordado pelos bandidos. “Eles me bateram com um carro e, quando desci para fazer os procedimentos, mais dois veículos apareceram e fui rendido”, recorda.

Na sequência, Juliano embarcou no caminhão, que estava vazio, com mais três homens e conseguiu pegar o celular e encaminhar uma mensagem para o pai. “Eu não sabia se ligava para o pai e deixava o telefone ligado para ele ouvir ou mandava mensagem. Optei pela mensagem e tirei a bateria do celular e joguei embaixo da cama”, explicou.

O dinheiro da carteira e que estava no caminhão foi levado pelos bandidos, mas Juliano conseguiu esconder cerca de R$ 5 mil que estavam no seu bolso. “Esse dinheiro coloquei dentro da cueca”, salientou.

Depois de andar cerca de três horas dentro do caminhão, o caçadorense teve que descer do veículo e entrar no porta-malas de um Civic, quando o sofrimento e a agonia foram maiores ainda. “Andei mais ou menos umas duas horas. Então chegou em uma favela. Desci do carro, eles mandaram eu andar por um corredor, quando achei que iam me matar. Mas, chegamos em uma casa onde entrei em uma peça onde acabei ficando”, completou.

O local era escuro, não tinha banheiro e a comida era péssima. “Só quando me soltaram eu tive noção de que fiquei dois dias preso”, relatou Juliano.

Juliano andou por cerca de duas horas novamente no porta-malas de um carro quando foi solto na marginal e se dirigiu até a rodoviária para avisar os familiares que estava vivo.

“Comecei a dar bem mais amor à vida. E não sei mais se volto a viajar e, se for, São Paulo eu não quero mais. Graças a Deus estou em casa, com meu pai, minha mãe, minha esposa e meu filho”, finalizou.  

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