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Uma bituca de cigarro apagada. Este é o objeto estranho encontrado no apartamento de Joice

Hasselmann (PSL-SP) que provaria a agressão sofrida pela deputada federal em seu apartamento funcional em Brasília. A informação foi confirmada com exclusividade ao Grupo ND nesta quarta-feira (4), pelo advogado da parlamentar, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

“Ninguém fuma no apartamento. Então, quando movimentaram os móveis, acharam uma bituca de cigarro”, disse Kakay, advogado badalado e defensor de vários clientes importantes, como políticos, atores, filha de ministro.

O caso de Joice provocou comoção nacional em 22 de julho, quando a polêmica deputada federal apareceu com o rosto ferido e disse que foi vítima de agressão. Sem qualquer tipo de filtro, maquiagem e joias, look com o qual costumar se apresentar em público, a parlamentar gravou um vídeo para dizer que o atentado teria ocorrido na madrugada do dia 18 de julho, um domingo.

Acontece que ela não soube explicar como e quem teria executado as agressões. Joice estaria inconsciente e desacordada. Desde esse dia, o caso ganhou ares de filme de suspense. A pergunta que não quer calar é quem seria o executor das pancadas que custaram fraturas no rosto dela, dois traumas na base do crânio, corte profundo no queixo e nos lábios, além da perda de um dente?

Câmeras de segurança, marido e remédio para dormir

Depois de checar as imagens captadas por 16 câmeras de segurança do apartamento funcional em Brasília – que a parlamentar tem direito e não abre mão de usufruir -, e não constatar ao menos a presença de um estranho que pudesse alimentar a afirmação dela de que foi vítima de um atentado, a investigação conjunta das polícias Legislativa e da Segunda Delegacia da Asa Norte convergiu para o marido da vítima.

Não era para menos. Porque o neurocirurgião Daniel França seria o único ser vivo que estava no imóvel onde Joice dormitava naquele momento. Mas como esses casos policiais misteriosos nunca terminam rápido (às vezes ficam até insolúveis), a investigação voltou à estaca zero. Isso ocorreu depois do resultado do exame de corpo de delito feito no marido da deputada federal.

O laudo constatou o inesperado: ausência de lesões recentes nas mãos do médico, o que praticamente descarta que ela teria sido vítima do próprio marido. O exame, feito no IML (Instituto Médico Legal) do Distrito Federal, buscou identificar se havia lesões que mostrassem sinais de luta, ou qualquer confronto físico. Ele foi feito no âmbito das investigações que apuram se Joice foi agredida dentro de casa, no apartamento funcional.

A própria parlamentar, então, tratou de colocar mais elementos nesse filme de suspense. Dias depois de ter propagado ao país que teria sido alvo de atentado e chegar a apontar desafetos ligados a grupos simpatizantes ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de quem Joice agora é inimiga, a parlamentar confessou que faz uso de medicação para dormir.

Segundo ela, na noite anterior à madrugada fatídica, estava assistindo a uma série com o marido e tomou seu “remedinho para dormir”. Ela só lembra que o cônjuge foi para o quarto e ela continuou vendo TV. E mais nada. No dia seguinte, acordou no chão, desfigurada.

O “remedinho” se chama Stilnox, feito à base de zolpidem, que Joice faz uso contínuo há cerca de 20 anos. Estudos apontam que 5% dos pacientes que fazem uso do hipnótico zolpidem estão propícios à diminuição da memória ou à amnésia.

Apesar de não querer falar sobre o caso específico da deputada Joice Hasselmann, o psiquiatra Mauro Aranha se limitou a dizer que a pessoa que faz uso do medicamento pode fazer e vivenciar coisas que não ficam retidas na memória. E ilustrou: “nessa situação, mesmo parecendo estar acordado, o indivíduo não tem os mesmos reflexos, nem o mesmo raciocínio”.

Joice poderia ter se autolesionado inconscientemente após sofrer na pele as contraindicações do remédio. Tese que o colega de legenda Waldir Soares de Oliveira, cujo nome político é Delegado Waldir (GO), corrobora. Ex-delegado de Polícia Civil com 20 anos de experiência, ele afirma que nunca se deparou com caso semelhante em sua carreira. “É uma situação extremamente diferente”, disse.

Amigo da deputada Joice, Waldir conta que, após tomar conhecimento do resultado dos laudos das 16 câmeras e do Instituto de Medicina Legal no marido da colega, que nada acusaram, ele reforça que a tese mais forte pode ser a de que “os medicamentos que ela toma terem causado uma espécie de sonambulismo e que ela mesma tenha se machucado, porque as lesões são graves”. Para ele, a tese de que algum deputado desafeto da Câmara ou simpatizante de Jair Bolsonaro estar envolvido no caso é praticamente descartada.

Perguntas sem respostas

Como e quem teria feito as agressões?

Por que ela buscou hospital usando outro nome?

Por que Joice não procurou a polícia ao constatar as agressões?

Por que a parlamentar não buscou a Polícia Federal, prevista em seu foro?
Na internet, o Blog da Cidade faz uma série de questionamentos sobre o caso de agressão sofrido pela parlamentar, colocando em xeque a credibilidade da denúncia. Entre os quais, por que ela teria dado entrada num hospital particular de Brasília usando outro nome.

“Mesmo tendo o marido como médico, ele não classifica as lesões como grave no dia depois das agressões e só vai leva-la a uma unidade hospitalar três dias depois”, pondera a publicação.

Além dessas, existem outras questões que pareceram agora não trazer respostas conclusivas. Uma delas é por que a deputada não procurou a polícia ao constatar a agressão. Outra: na primeira versão apresentada, Joice disse que estaria sozinha no apartamento no dia das agressões, mas volta atrás e revela que o marido estava dormindo.

Outro fato que intriga é o motivo de não ter recorrido à Polícia Federal, uma vez que ela tem foro para pedir a intervenção da força. Quanto ao objeto encontrado no apartamento e levado para a polícia, que artefato seria este? E, por fim, quais seriam os supostos autores das agressões que ela afirma saber quem são.

As respostas para essas questões encontram-se sob sigilo na Polícia Civil do Distrito Federal. Nem o advogado dela saberia responder à maioria – exceto sobre a bituca de cigarro.

O deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) se antecipou à investigação e entrou com requerimento para que a Câmara crie uma comissão externa para acompanhar as apurações sobre o caso Joice Hasselmann. Para o pedetista, o caso é grave.

“Trata-se de denúncia de extrema gravidade (suposto atentado) que merece ser apurada com maior rigor, principalmente considerando que, se de fato alguém atentou contra a vida da Dep. Joice, algo muito pior poderia ter acontecido a ela ou a qualquer outro Parlamentar que resida em imóvel funcional”, argumenta o deputado, que parece ignorar o fato de até agora não haver indício algum de que Joice tenha sido mesmo atacada. Só uma bituca de cigarro apagada.

Do surfe na crista da onda ao rompimento com Bolsonaro

Aliada de primeira viagem do então candidato Jair Bolsonaro, a jornalista Joice Hasselmann surfou na crista da onda ao estampar nos palanques a imagem colada do ex-capitão do Exército em suas vestimentas. A estratégia deu tão certo que ela foi uma das deputadas mais bem votadas de São Paulo. Foi a segunda maior votação para a Câmara em 2018, obtendo mais de um milhão de votos.

Bastou romper com o clã Bolsonaro, no entanto, que ela viu sua popularidade derreter. Ao se aventurar para a Prefeitura de São Paulo, em 2020, obteve apenas 98.342 votos. Números bem expressivos se comparados com a votação de deputada federal, quando obteve 1.064.047 votos.

Joice experimentou o revés que alguém pode sofrer ao se colocar do lado oposto da trincheira onde estão os Bolsonaro. Ao ser destituída da liderança do governo no Congresso, a relação entre a parlamentar e o chefe do Executivo azedou. Desde 2019, quando ela caiu do cargo, são constantes as trocas de farpas na internet, principalmente com os filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ).

O vazamento do grupo de WhasApp

Num linguajar mais chulo, Joice é classificada como fio desencapado, porque não escolhe adversário e alvo, mas acaba brigando até mesmo com colegas de legenda. O exemplo mais claro dessa característica explosiva da parlamentar é o famoso vazamento de mensagens entre membros do grupo de WhasApp de futuros deputados que foram eleitos em 2018, mas que não haviam assumido ainda, chamado de “Bancada PSL 2019”.

No epicentro da polêmica estava a liderança do partido na articulação com o futuro governo. Posto que Joice se lançou com força e desagradou muita gente da legenda. Entre elas, o senador Major Olímpio (SP), que morreu neste ano vítima de Covid-19.

Os dois travaram discussão virtual. Joice acusava o partido de ter articulação política “abaixo da linha da miséria” e se colocava na posição de quem fazia o trabalho para melhorar o diálogo com os políticos no Parlamento.

Olímpio retrucou e disse na ocasião que “o presidente se reuniu comigo e com o delegado Waldir por sermos veteranos, para ajustarmos a interlocução na Câmara e no Senado (…) Nenhum de nós quatro pedimos articulador para nos representar, ao contrário, se assim acontecer, será desconsideração conosco. Tanto Waldir quanto eu recebemos as orientações do presidente que deixou bem claro que não tem nada definido para liderança de nada e que o partido lutasse pelos espaços”.

Joice Hasselmann X Carla Zambelli: da amizade às farpas

A deputada parece respeitar nem amizade antiga quando esta se coloca em seu caminho. Foi o caso da ex-amiga e atual deputada federal Carla Zambelli. As duas eram facilmente vistas juntas. Nas manifestações de 2016 pelo impeachment de Dilma Rousseff, a então jornalista Joice Hasselmann e a ativista antipetista Carla Zambelli ecoavam o mesmo coro em trios elétricos, pedindo a saída da petista.

Mas a relação viria a azedar de vez com as duas eleitas para a Câmara. Bastou Zambelli se lançar na disputa pela Secretaria de Comunicação da Câmara que Joice rompeu a amizade e passou a atacar a ex-amiga. Sobrou farpas até para o deputado Eduardo Bolsonaro, também do PSL paulista, que demonstrava apoio ao nome de Zambelli no cargo, que hoje é ocupado por Joice.

Mas não é somente nos intramuros do Congresso Nacional que Joice passou a ser odiada pelos adeptos de Bolsonaro. Na internet, ela é bombardeada pelos admiradores do presidente que ela tanto critica agora. Tanto que fizeram até meme dela se autoatacando nesse episódio da casa dela. Uma montagem, é claro.

Com informações ND Mais 

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