Apesar do revide do presidente Lula, Donald Trump voltou a criticar a Justiça brasileira e pedir que “deixem Bolsonaro em paz”
“Deixem o grande ex-presidente do Brasil em paz. CAÇA ÀS BRUXAS!!!”, disparou Trump em sua plataforma Truth Social. Esta é a segunda vez nesta semana que o líder republicano critica o tratamento dado a Bolsonaro. Na segunda-feira (7), Trump já havia se manifestado, sem citar explicitamente as acusações de tentativa de golpe de Estado no Brasil.
“O Brasil está fazendo algo terrível no tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu tenho assistido, assim como o mundo todo, enquanto eles não fazem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”, escreveu Trump, acrescentando: “Ele não é culpado de nada, exceto de ter lutado pelo POVO. O grande povo do Brasil não vai tolerar o que estão fazendo com o ex-presidente. Estarei assistindo à CAÇA ÀS BRUXAS de Jair Bolsonaro, sua família e milhares de apoiadores, atentamente”.
Reações no Brasil
Em resposta, Jair Bolsonaro agradeceu publicamente a demonstração de apoio de Donald Trump, afirmando ter recebido a mensagem “com muita alegria”. O ex-presidente brasileiro classificou o processo ao qual responde no Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “aberração jurídica” e “clara perseguição política”.
A manifestação de Trump, no entanto, gerou forte reação no governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recriminou a tentativa de intervenção na Justiça brasileira, sem citar diretamente os Estados Unidos. “A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo, os que atentam contra a liberdade e o estado de direito”, declarou Lula em nota divulgada pelo Palácio do Planalto.
Lula reforçou sua posição durante entrevista ao fim da Cúpula do Brics, na segunda-feira, no Rio de Janeiro: “Esse país tem lei, tem regra e tem um dono chamado povo brasileiro. Portanto, dê palpite na sua vida, mas não na nossa”.
Outros integrantes do governo também reagiram. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o ex-presidente dos EUA está “muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro”. Ela acrescentou: “O tempo em que o Brasil foi subserviente aos EUA foi o tempo de Bolsonaro, que batia continência para sua bandeira e não defendia os interesses nacionais. Hoje ele responde pelos crimes que cometeu contra a democracia e o processo eleitoral no Brasil. O presidente dos EUA deveria cuidar de seus próprios problemas, que não são poucos, e respeitar a soberania do Brasil e de nosso Judiciário”.
Analistas políticos avaliam que a manifestação de Trump pode ser utilizada a favor do presidente Lula na campanha eleitoral de 2026, ao reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional.








