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STF reconhece que Claudia Tavares poderia ter aguardado julgamento em liberdade, mas decisão não tem efeito imediato

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STF entendeu que ré poderia ter aguardado julgamento em liberdade, mas condenação pelo Tribunal do Júri mantém prisão até nova decisão das instâncias superiores

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu que Claudia Fernanda Tavares poderia ter aguardado o julgamento dos recursos em liberdade. No entanto, a decisão não produz efeitos imediatos, uma vez que ela já foi condenada pelo Tribunal do Júri, o que mantém, por ora, a situação definida na sentença condenatória.

Claudia foi condenada em agosto deste ano a 20 anos de prisão pelo homicídio do companheiro Valdemir Hoeckler, de 52 anos. O crime ocorreu em 2022, no interior do município de Lacerdópolis, no Meio-Oeste catarinense, e teve grande repercussão regional e estadual.

Segundo o advogado de defesa, Matheus Molin, uma decisão proferida em 19 de dezembro pelo ministro André Mendonça, do STF, revogou a prisão preventiva de Claudia, reconhecendo que ela poderia responder ao processo em liberdade. A manifestação ocorreu após a análise de um habeas corpus impetrado pela defesa no mês de maio.

De acordo com Molin, o pedido foi apresentado após o restabelecimento da prisão preventiva, determinado por decisão anterior que obrigou Claudia a aguardar o julgamento encarcerada. A defesa sustenta que houve ilegalidade nesse entendimento, argumentando que a ré sempre cumpriu todas as medidas impostas pela Justiça ao longo do processo.

Apesar do reconhecimento do STF, a decisão não tem aplicação imediata. Conforme explicou a defesa, isso ocorre porque a condenação pelo Tribunal do Júri mantém válida a situação processual atual até que haja nova deliberação por parte das instâncias superiores.

O advogado destacou ainda que, durante toda a tramitação do processo, Claudia colaborou com as autoridades, compareceu a todos os atos processuais quando intimada e não descumpriu nenhuma determinação judicial.

“Claudia jamais deveria ter sido presa no curso do processo e deveria ter aguardado seu julgamento em liberdade. Caso essa decisão tivesse sido tomada antes, o julgamento poderia ter tomado outros rumos, ou talvez ela sequer tivesse sido levada a júri”, afirmou Molin.

O caso voltou a ganhar destaque após a condenação em júri popular, e a defesa afirma que ainda existem circunstâncias relevantes que precisam ser reavaliadas pelas instâncias superiores do Judiciário. Em nota, os advogados informaram que o recurso de apelação já foi interposto e tem julgamento previsto para fevereiro de 2026. Até lá, o processo segue em fase recursal.

Relembre o caso

A tranquilidade do pequeno município de Lacerdópolis foi abalada em 19 de novembro de 2022, quando a polícia localizou o corpo de Valdemir Hoeckler, que estava desaparecido havia cinco dias. Ele foi encontrado congelado dentro do freezer da própria residência, coberto por alimentos e bebidas, com pés e mãos amarrados. O crime chocou a comunidade local, formada por pouco mais de 2.200 habitantes, que não registrava um homicídio havia cerca de 30 anos.

No mesmo dia em que o corpo foi encontrado, Claudia publicou um vídeo nas redes sociais confessando o assassinato, alegando que sofria violência doméstica. As investigações, no entanto, seguiram outra linha. Pessoas próximas relataram que o casal mantinha uma convivência aparentemente harmoniosa, e mensagens trocadas entre eles reforçaram essa percepção.

O Ministério Público de Santa Catarina denunciou Claudia por homicídio qualificado, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e por asfixia. Segundo a acusação, ela teria dopado o companheiro com medicamentos, amarrado pés e mãos e colocado uma sacola plástica sobre a cabeça, causando a morte. Claudia também respondeu por ocultação de cadáver e falsidade ideológica, por esconder o corpo e comunicar um falso desaparecimento às autoridades.

Após confessar o crime, Claudia foi presa preventivamente, chegou a obter o direito de responder ao processo em liberdade, mas voltou à prisão em maio deste ano, após recurso do Ministério Público.

Durante o julgamento, dez testemunhas foram ouvidas, entre elas um amigo da vítima, que estranhou o volume no freezer ao abri-lo para pegar água para os bombeiros, e um policial militar que participou das buscas e encontrou o corpo. Ambos se emocionaram ao relatar que procuraram Valdemir por vários dias sem imaginar que ele estava dentro da própria casa.

A defesa sustentou em plenário que Claudia foi vítima de violência doméstica ao longo de cerca de 20 anos de relacionamento e que o crime teria ocorrido nesse contexto. Valdemir convivia com a ré há 23 anos e havia formalizado a união com ela há apenas 40 dias. Ele deixou mãe, filhos, irmãos e netos.

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