Notícias de Caçador e Região

SC tem hospitais lotados, filas de espera e risco de falta de insumos

Hospitais lotados, filas de espera por leitos de UTI, alta demanda por insumos, unidades básicas e de pronto atendimento sobrecarregadas. Esse é o atual cenário da pandemia da Covid-19 em Santa Catarina.

A situação de colapso no sistema de saúde foi revelada pelo secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, em ofício encaminhado aos 295 secretários municipais de saúde, na quarta-feira (24).

O ofício chama a atenção para o risco de desabastecimento. Entre os insumos necessários estão medicamentos relacionados aos “kits intubação”, oxigênio e os equipamentos de proteção individual.

Nesta quinta-feira (25), o painel de leitos de UTI SUS da Secretaria de Estado da Saúde aponta taxa de ocupação de leitos de UTI Adulto Covid-19 de 96,2% no Estado.

A situação mais crítica está na região do Meio-Oeste e Serra catarinense com 98,1%. A menor taxa se encontra na região Sul (92,8%).

Ainda nesta quinta, 31 hospitais estavam com todos os leitos UTI Adulto Covid-19 ocupados, o que representa 751 dos 781 ofertados pelo Estado, com apenas 30 vagos.

Hospitais lotados

Na Grande Florianópolis, ao menos dois hospitais estão lotados nesta quinta. “Vamos ter que escolher quem vem e quem fica, com base no quadro médico e idade”, lamenta a médica Paola David, diretora clínica do hospital Regional de Biguaçu, que atingiu 100% da capacidade.

Na Capital, o Hospital Florianópolis está com ocupação geral em 130%, com 173,9% da enfermagem ocupada, além de 96,7% dos leitos de UTI preenchidos.

No Vale do Itajaí, a UTI do Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux, o Hospital Azambuja de Brusque, está 100% ocupada, com 22 leitos. A UTI geral, que dispõe de 10 leitos também está lotada, mas sem pacientes Covid-19.

Prevendo a falta de insumos, a direção do HRSP (Hospital Regional São Paulo) de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina chegou a emitir comunicado pedindo ajuda financeira para evitar que faltem materiais para atendimento e proteção das equipes que estão trabalhando diariamente.

Pronto atendimentos sobrecarregados

As unidades básicas e de pronto atendimento também estão sentindo os reflexos do colapso no sistema de saúde. Em Florianópolis, oito pessoas aguardam nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) a abertura de leitos em hospitais.

No último domingo (21), a UPA 24h de Forquilhinhas, em São José, consumiu em apenas quatro horas o oxigênio disponível para 12 dias, em função da alta demanda dos pacientes.

Em Joinville, no Norte do Estado, a situação não é diferente. Fontes ouvidas pelo ND+ afirmam que os pronto atendimentos da cidade estavam lotados e com demora no atendimento aos pacientes na quarta-feira (24).

Importante salientar que as UPAs não realizam internação, mas dão suporte até que os pacientes sejam encaminhados para os hospitais.

Ampliação de leitos

A Secretaria de Estado da Saúde informou que, nos últimos 30 dias, tem trabalhado na ampliação de mais 220 leitos clínicos de retaguarda e 130 leitos de terapia intensiva em diversas regiões do Estado.

Além dos 165 leitos de retaguarda divulgados na terça-feira (23), mais 55 novos foram disponibilizados nas cidades de:

Concórdia, com 15 novos, no Hospital São Francisco;

Florianópolis, com 10 novos, no Hospital da Polícia Militar;

Ponte Serrada, com 10 novos, no Hospital Santa Luzia;

Guaramirim, com 10 novos, no Hospital e Maternidade Santo Antônio;

Campo Alegre, 10 novos, no Hospital São Luiz.

No que se refere aos leitos de terapia intensiva, além dos 110 divulgados no início da semana, outros 20 foram pactuados para o Hospital Regional do Oeste, em Chapecó.

Além da pactuação destes leitos, o governador Carlos Moisés afirmou que, caso necessário, o Estado dispõe de R$ 600 milhões para ativação de leitos de UTI na rede privada.

Solicitações ao governo federal

A SES informou que nesta quarta, o Ministério da Saúde encaminhou 100 ventiladores pulmonares ao Estado. São 50 ventiladores pulmonares de transporte da marca KTK e 50 ventiladores para UTI da marca Vyaire Medical.

O Estado solicitou também uma remessa de medicamentos do Kit Intubação para atendimento aos pacientes Covid-19.

No que se refere aos estoques de oxigênio a Secretaria de Estado da Saúde diz que confirmou com a empresa White Martins – responsável pelo abastecimento – que há a disponibilidade do insumo para atendimento da demanda.

Novas medidas restritivas

O governo de Santa Catarina adotou novas medidas restritivas através do Decreto nº 1.168 anunciado na tarde desta quarta-feira. O objetivo é desacelerar a curva de contágio da doença.

Além dos novos protocolos, também foi anunciado um reforço de 500 policiais militares para atuar diretamente na fiscalização das novas determinações. O estado de Calamidade Pública foi estendido até 30 de junho em Santa Catarina.

Com informações ND Mais 

Veja Também

Comentários estão fechados.