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SC tem 442 pacientes na fila da UTI e hospitais preparam-se para escolher pacientes

Os dados desta terça-feira (16) indicam uma alta na solicitação de transferência para as UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) de Santa Catarina, que ainda mantém 442 pacientes na fila de espera.

Atualmente, 99% dos leitos adultos da rede pública estão ocupados, deixando apenas nove livres. Esses dados, contudo, não espelham a realidade, já que a rotatividade nas internações é alta, e o número é “virtualmente inferior à realidade”, segundo o próprio Governo do Estado.

Ainda de acordo com o Estado, há 442 pessoas aguardando por um leito de UTI Covid, conforme o boletim epidemiológico desta terça.

Desde a transição de fevereiro para março, Santa Catarina vive um pico de casos da Covid-19, atingindo o colapso do sistema público de saúde. Atualmente são mais de 35 mil casos ativos.

Com a situação crítica, os hospitais já ensaiam a adoção do protocolo internacional de saúde, que prevê ofertar assistência para quem tem maior probabilidade de sobreviver.

Conforme já foi apresentado pelo ND+, os três hospitais que atendem casos de Covid-19 em Blumenau, no Vale do Itajaí, informaram que estão se preparando para selecionar os pacientes que terão prioridade de acesso aos leitos de UTI.

Segundo as unidades, todos os pacientes serão atendidos, mas os insumos para suporte a pessoas com a Covid-19 como oxigênio, ventilação mecânica e medicamentos, serão priorizados aos pacientes com maiores chances de sobrevivência e expectativa de vida.

Mesmo hospitais bem estruturados, como o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, apresentam dificuldades em lidar com tamanha demanda de pacientes. No fim de semana, no fim de semana, quando fiéis fizeram uma fila de oração em frente à unidade hospitalar.

Mais de 100 pacientes estão na fila de Chapecó

Se analisada regionalmente, a fila é maior no Oeste, na região de Chapecó, que já tem 101 pacientes aguardando o tratamento em leito de UTI. Na Grande Florianópolis, são 87 pacientes na mesma situação.

Vale ressaltar que a região de Chapecó é justamente a que possui o hospital com mais leitos dentre as 55 unidades que ofertam UTI. No total, o HRO (Hospital Regional do Oeste) possui 109 leitos ativos.

O entorno de Chapecó foi a primeira parte de Santa Catarina que apresentou indício de colapso, que mais tarde veio a se estender por todo o território.

O agravamento obrigou autoridades a enviarem pacientes para outros Estados, como o Espírito Santo. Contudo, o desfecho foi crítico.

Quatro dos 16 pacientes que foram transferidos para o Estado capixaba morreram, sendo a mais recente nesta segunda (15). Ivani Oliveira Ratkiewicz, de 63 anos, estava internada no Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, no município da Serra, na região metropolitana de Vitória (ES).

Além da porcentagem que não resistiu ao vírus, o Espírito Santo também registrou alta na lotação de leitos e suspendeu as transferências na última sexta (11).

A decisão foi anunciada como consequência do aumento na demanda de atendimento na região de Vitória, cidade para onde os pacientes seriam transferidos.

De acordo com o painel de ocupação de leitos hospitalares do governo do Espírito Santo, a ocupação das UTIs para Covid-19 está em 89%, enquanto os de enfermaria para Covid-19 é de 68%.

Lockdown em pauta após colapso

Há dias as autoridades do Estado discutem a possibilidade de um lockdown em decorrência do agravamento da pandemia e do colapso das UTIs.

O governador Carlos Moisés (PSL) decretou fechamento dos serviços não essenciais, mas somente aos fins de semana, além de ampliar algumas restrições em dias úteis.

Nesta segunda (15) o assunto voltou à tona, com uma decisão judicial que determina que a gestão estadual discuta medida com técnicos e divulgue a lista atualizada de espera por leitos de UTI e enfermaria a cada 24 horas.

Isso, após o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e a DPE (Defensoria Pública do Estado) entrarem com ação civil pública, pedindo o lockdown no Estado, no dia 10 de março na 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital. No documento, de 86 páginas, eles alegam que a ação é necessária devido ao atual cenário de colapso do sistema de saúde catarinense.

Agora, está agendada para às 14h desta quarta-feira (17) uma reunião virtual composta pelos integrantes do COES com a participação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), bem como outros órgãos de saúde do Estado.

A partir dessa reunião, serão outras 24h para que o Estado adote as medidas entendidas por esse comitê. Conforme apurado pelo ND+, com o atual cenário, não há possibilidade de lockdown em Santa Catarina. Embora a reunião desta quarta-feira esteja confirmada, a estimativa é que outras ferramentas de combate a disseminação do vírus sejam adotadas.

Entorno da Capital terá lockdown de sete dias

A região Grande Florianópolis se adiantou nas medidas e decretou novas restrições, válidas até a próxima terça (23). Entre as ações, está a suspensão das aulas presenciais, seja em escolas públicas ou privadas, em todos os níveis, mantendo somente o ensino remoto.

O transporte coletivo urbano municipal e interestadual poderá continuar operando, mas apenas com ocupação de 50% da lotação total do veículo, como já estabelecido pelo Governo do Estado.

Ficou decidido ainda que as atividades não essenciais, conforme estabelecido no decreto estadual 1.200, estão suspensas das 18h às 6h, no período de uma semana. Após este horário, apenas entrega em casa e retirada em restaurantes estão autorizadas.

Durante o horário permitido para funcionamento, a lotação máxima permitida é de 25%. Você confere todos os detalhes do novo regramento aqui.

Com informações ND Mais 

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