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Saiba qual a diferença entre a Covid ‘comum’ e a variante Delta, presente em SC

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) divulgou um novo boletim de Vigilância Genômica, na quarta-feira (22), que aponta que a variante Delta da Covid-19 se espalhou em território catarinense. Desde o mês de junho de 2021, quando foram identificados os primeiros casos, a variante ultrapassou os casos da Gama e se tornou prevalente.

Mas por que a variante Delta se espalhou desta forma? De acordo com o médico infectologista da SES, Marcelo Mulazani, a variante Delta (inicialmente conhecida como “indiana”) possui mais condições de transmissibilidade que as anteriores. Entretanto, estudos não apontam diferenças acentuadas nos sintomas manifestados, tampouco maior ou menor grau de letalidade.

Segundo o novo boletim, os testes identificaram duas sublinhagens da variante Delta em Santa Catarina: a AY.4 e a AY.20. Ainda de acordo com o estudo, a situação faz parte da “evolução viral e está relacionado à taxa de replicação da doença”. “Quanto mais o vírus se multiplica, mais rápido é o processo de evolução”, completa.

Santa Catarina declarou em 19 de agosto a transmissão comunitária da variante Delta. Até o fim de agosto, foram confirmados 63 casos da variante conhecida por ser mais transmissível em 28 municípios catarinenses.

Vale ressaltar que, até a data da publicação do boletim, estas sublinhagens não demonstraram diferenças em relação aos efeitos da versão “original” da variante Delta.

A variante Delta

Detectada pela primeira vez na Índia, em outubro de 2020, a mutação do vírus SARS-CoV-2 (causador da Covid-19), conhecida como Variante Delta (B.1 617.2, antes também chamada de variante indiana), já foi registrada em mais de 130 países, conforme divulgado pela Organização Mundial da Saúde.

Há uma pequena variação observada nos sintomas causados pela variante Delta. De acordo com o professor Rogério Sobroza de Mello, do curso de Medicina da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), a variante provoca maior infecção das vias aéreas superiores, como coriza e dor de garganta, que podem confundir com um resfriado comum.

O virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona Ômica, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações disse em entrevista à revista Veja que essa pequena variação pode servir de arapuca aos brasileiros.

“O grande risco disso é que nós temos uma etiqueta respiratória muito ruim, diferente de outras nações em que não se sai de casa, nem se participa de reunião quando está gripado”, destaca o virologista. Ou seja, o descaso com esse tipo de sintoma facilita a disseminação do vírus.

Indivíduos infectados ainda podem demorar a fazer o teste ou procurar um médico pelos sintomas mais leves. O professor da Unisul reforça a importância da testagem sempre que a pessoa sentir sintomas correspondentes à Covid-19. Isso evita que ela continue circulando e transmitindo o vírus.

Vacina é essencial

Mulazani reforçou, em entrevista no mês de julho, que a alternativa para conter o avanço da variante é a vacinação.

“Vacinar é o ideal! Não interessa qual a vacina. Nesse momento, em que há a propagação de uma variante nova, não se deve escolher qual vacina tomar. A que estiver disponível é a melhor vacina”, reforça.

Estudo publicado pela revista científica Nature aponta que duas doses das vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca geram resposta imune contra a variante Delta em 95% dos pacientes vacinados, mesmo que ela seja capaz de escapar de alguns anticorpos monoclonais de laboratório.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a Coronavac apresentou bons resultados contra a variante Delta do coronavírus em testes realizados em laboratório, mas ainda faltam dados populacionais sobre a proteção da vacina em relação à variante originária na Índia.

Já a Johnson & Johnson anunciou que a vacina de dose única produzida pela farmacêutica é eficaz contra a variante Delta com uma resposta imunológica que dura pelo menos oito meses.

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