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Projeto pioneiro capacita forças de segurança para abordagem emergencial de pessoas autistas

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Profissionais da Guarda Municipal e dos Bombeiros Voluntários de Caçador participaram recentemente de uma capacitação específica sobre abordagem e manejo emergencial de pessoas autistas durante ocorrências. O projeto, inédito na região, já demonstrou resultados positivos e tem planos firmes de expansão para outras instituições de segurança pública e privada. A procura pelo curso já ultrapassou os limites do município, chegando inclusive a outras cidades interessadas em receber a instrução.

A iniciativa nasceu da vivência pessoal do instrutor Fabio Garcia, pai de uma criança autista nível 3 de suporte,  o grau mais severo do transtorno, com ausência de comunicação verbal e outras comorbidades associadas. A experiência direta com os desafios enfrentados por famílias e profissionais motivou Fabio a desenvolver um treinamento que auxiliasse equipes de emergência na identificação prévia, abordagem humanizada e manejo adequado de pessoas autistas em situações de risco.

“Percebi que muitos profissionais não sabiam reconhecer os sinais do autismo ou como conduzir uma ocorrência sem gerar ainda mais estresse e insegurança para a pessoa atendida. Isso acendeu em mim a urgência de levar esse conhecimento às nossas forças de segurança”, relata o instrutor.

Capacitação e impacto

O curso aborda aspectos essenciais do transtorno do espectro autista (TEA), como padrões de comportamento, dificuldades sensoriais, hiper e hiporreatividade a estímulos, crises emocionais e comunicação alternativa. Os participantes aprendem técnicas práticas que reduzem riscos e aumentam a eficiência nas operações, além de estratégias para evitar abordagens que possam gerar traumas ou escaladas de conflito.

Segundo o diretor da Guarda Municipal de Caçador, Alessandro Gonçalves, a capacitação proporcionou uma mudança significativa na forma como agentes entendem e lidam com ocorrências envolvendo pessoas autistas. Ele destaca que a qualificação trouxe “maior preparo, empatia e segurança para todos os envolvidos”.

Para o chefe de ensino dos Bombeiros Voluntários, Giancarlo de Oliveira, o curso representou um avanço importante: “Situações emergenciais com pessoas neurodivergentes exigem sensibilidade e conhecimento técnico. Foi um treinamento transformador para nossas equipes”.

Expansão do projeto

Diante dos resultados, já há tratativas para levar a instrução à outras forças de segurança de Santa Catarina, além de conversas com a Polícia Militar, serviços de Pronto Atendimento e instituições privadas que atuam com gestão de crises e segurança.

A amplitude da demanda reforça a relevância do tema. A falta de preparo técnico é uma realidade em grande parte do país, e o treinamento preenche uma lacuna urgente na formação dos profissionais de emergência.

Uma iniciativa que inspira

Fabio ressalta que a mensagem principal do curso é simples, mas profunda: atender com conhecimento, respeito e humanidade. “Um profissional bem preparado salva vidas não apenas pelo protocolo, mas pela capacidade de enxergar o indivíduo por trás da ocorrência.”

A expectativa é que o projeto continue ganhando espaço e incentive outras cidades e instituições a adotarem a capacitação, ampliando a rede de profissionais aptos a atender pessoas autistas de forma segura e digna.

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