Imagine ter em casa maçãs que não escurecem depois de descascadas ou cortadas. Pois este é o objetivo do estudo que está sendo desenvolvido em parceria com Epagri/Estação Experimental de Caçador e UNIARP.
O projeto intitulado Caracterização química e enzimática de seleções de macieira com potencial antioxidante” é apoiado pelo Fundo de Apoio à Pesquisa (FAP).
O trabalho, inédito, está em fase inicial e exige aplicação de diferentes técnicas e dedicação da equipe. Está sendo desenvolvido pela acadêmica do curso de Farmácia Franciely Aparecida Souza dos Santos, sob orientação do professor do curso de Agronomia e pesquisador da Epagri na área de Melhoramento Genético de Macieira Dr. Marcus Vinícius Kvitschal. Também participam as professoras do Curso de FarmáciaTalize Foppa e Dra. Bianca Schveitze e a acadêmica de Farmácia Jaqueline Franzen que é voluntária no projeto.
A parceria com a UNIARP, através do curso de Farmácia envolve análises químicas em laboratório, visa dar suporte ao programa de melhoramento de macieira da Epagri por meio do levantamento das informações sobre o comportamento da população de plantas híbridas, na qual percebeu-se frutas que não apresentam o escurecimento da polpa mesmo após o corte. “O trabalho na área de melhoramento genético da macieira é bastante complexo e depende da colaboração de várias áreas de conhecimento, com ações de pesquisa pontuais e complementares. A Universidade está responsável por uma destas ações”, comenta o professor Marcus.
Ele explica que o germoplasma de macieira estudado nesse projeto foi desenvolvido pela Epagri e está atrelado à ações de pré-melhoramento, sendo que o objetivo da pesquisa é levantar informações acerca dos genótipos com menor tendência ou ausência de oxidação da polpa e com altos teores de vitaminas e minerais, os quais poderão gerar novos produtos ou serem melhor utilizados nos programas de hibridação visando o desenvolvimento de novas cultivares com finalidade de uso na indústria de processamento de maçãs (sucos, sidra, frutas minimamente processadas e desidratadas). “Só com a caracterização e avaliação pormenorizada das cultivares mantidas nas coleções de germoplasma é possível estimular o uso efetivo da variabilidade genética disponível aos melhoristas de macieira, seja para consumo in natura de frutas ou para o processamento industrial”, salienta.
Saiba mais
A macieira (Malus x doméstica Borhk.), por ser exótica no Brasil, depende da introdução de cultivares a partir do exterior e da inclusão dessas no Banco de Germoplasma ex situ.
Atualmente, a Epagri detém o Banco Ativo de Germoplasma de Macieira na Unidade de pesquisa localizada em Caçador.
Nesse Banco de Germoplasma (BAG) são conservados 406 acessos, os quais constituem-se de cultivares de dez espécies diferentes, todas originárias das mais diversas regiões do mundo.
Tanto na indústria de processamento da maçã (suco, sidra e frutas desidratadas) quanto na utilização dessa fruta para consumo in natura, existem alguns fatores prejudiciais ao processo de produção e ao consumo in natura que podem ser eliminados ou contornados utilizando o melhoramento genético. Algumas destas melhorias são o desenvolvimento de maçãs com maior teor de compostos antioxidantes e/ou a menor oxidação da polpa das frutas (ausência de escurecimento da polpa após o corte).
Enquanto os E.U.A. estão concentrando esforços de pesquisa para desenvolver cultivares de macieira resistentes ao escurecimento da polpa por métodos de modificação genética, nesse projeto espera-se identificar plantas do programa de melhoramento genético de macieira da Epagri que apresentem essa característica, as quais foram desenvolvidas sem nenhum evento de modificação genética, e sim, apenas explorando a variabilidade genética natural da espécie.









