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Prêmios da Mega-Sena acumulam brigas, assassinatos e até falso sequestro

Quem nunca sonhou em ganhar na loteria? Quantias milionárias atraem milhares de apostadores semanalmente atrás de uma vida diferente. Hoje, a Mega-Sena distribuirá uma dessas chances: R$ 125 milhões, o maior prêmio do ano até então.

A promessa de uma vida feliz nem sempre se concretiza. Altos prêmios da Mega-Sena também já trouxeram discórdias familiares, sequestros (falsos e verdadeiros) e até assassinatos. Conheça algumas histórias que envolveram ganhadores da loteria.

A viúva da Mega-Sena

Renné Senna, 54, mudou de vida ao ganhar sozinho um prêmio de R$ 51,9 milhões em julho de 2005. De origem humilde e com duas pernas amputadas por causa de uma diabetes maltratada, o carioca aproveitou por um ano e meio a vida de milionário.

Ele comprou carros, fazenda e outros bens, mas foi morto com quatro tiros na cabeça em um bar em Rio Bonito, a cerca de 70 km do Rio de Janeiro, em janeiro de 2007.

À época, a polícia prendeu a viúva Adriana Almeida, 29, que havia conhecido Renné depois de ele ganhar o prêmio, e mais cinco pessoas, entre eles os ex-seguranças da vítima. A suspeita era de que ela havia assassinado o marido pela herança, então dividida entre ela e a filha de Renné. Um ano e meio depois, ela foi solta e voltou a viver na fazenda que ele havia comprado.

Em 2011, Adriana foi julgada e absolvida por um Tribunal do Júri, mas o Ministério Público pediu anulação da decisão porque, segundo o órgão, houve contato entre os jurados, o que é proibido pela Justiça. Outro julgamento foi feito e, em dezembro de 2018, a viúva foi condenada a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado.

Já os ex-seguranças de Renné, Anderson Silva de Souza e Ednei Gonçalves Pereira, foram condenados a 18 anos por terem sido os autores dos disparos contra o milionário. Em fevereiro de 2018, a Justiça anulou ainda o testamento e tirou o direito de Adriana à herança.

Adriana, que alegou inocência no julgamento, ficou conhecida como “a viúva da Mega-Sena”.

Morto com três tiros no interior do Ceará

O empresário Miguel Ferreira de Oliveira decidiu deixar São Paulo e ir morar em Campos Salles (CE), a quase 500 km de Fortaleza, depois de ganhar um prêmio de R$ 39 milhões em 2011. Ele levava uma vida tranquila na região e era conhecido como “o milionário da Mega-Sena“.

Quase sete anos depois da mudança, em fevereiro de 2018, Miguel foi morto com três tiros enquanto bebia em um bar da região.

O crime chocou a cidade de menos de 30 mil habitantes e ainda segue sem respostas.

A Polícia Civil do Ceará prendeu um dos suspeitos, Antônio dos Santos, na última segunda. Ele nega a acusação.

Antônio estava foragido e é apontado como autor dos disparos. A polícia suspeita de que haja um mandante do crime, mas não sabe ainda sua motivação.

Venceram com o mesmo bolão e foram assassinados

Em maio de 2007, um bolão de 14 pessoas de Limeira, a cerca de 150 km de São Paulo, ganhou um prêmio de R$ 16 milhões na Mega. Mais de um ano depois, em novembro de 2008, um dos participantes, Altair Aparecido dos Santos, 43, foi assassinado durante um assalto em uma festa na sua chácara.

Na época, a família suspeitou de dois conhecidos de Altair que haviam participado do bolão, mas não pagaram a aposta e ficaram fora do rateio. Segundo o assassino, no entanto, o crime não tinha a ver com a bolada. Ao confessar, Diego dos Santos, foragido da Justiça, disse que entrou na chácara sem saber que Altair era ganhador do prêmio e atirou quando ele reagiu com uma vassoura.

Quase dez anos depois, outro ganhador do prêmio, também foi morto. O corpo de Arlei Rosa da Silva, 53, foi encontrado na Rodovia Engenheiro João Tosello em fevereiro de 2016.

Mais uma vez, no entanto, o crime não teve ligação direta com o prêmio. De acordo com o Ministério Público, o suspeito era um inquilino da vítima que devia aluguel. Testemunhos apontam que os dois já discutiam frequentemente por causa de inadimplência. Em uma dessas brigas, o acusado, um cabeleireiro da cidade, teria matado Arlei.

Eles ganharam R$ 53 milhões, só que não

Um grupo de cerca de 40 pessoas de Novo Hamburgo, interior do Rio Grande do Sul, acreditou ter mudado de vida em fevereiro de 2010 após o anúncio do prêmio de R$ 53 milhões. Eles haviam comprado cotas de um bolão feito por uma lotérica da cidade.

A felicidade durou pouco: ao chegarem ao local, os cotistas descobriram que a lotérica não havia feito a aposta. Logo, o prêmio não havia saído. Pelo menos 23 pessoas registraram ocorrência contra o estabelecimento e o dono foi intimado a depor na delegacia.

José Abend, 49, confirmou que os jogos não haviam sido feitos e culpou uma de suas funcionárias. Segundo a polícia, ele ainda reclamou que também teria algumas cotas na aposta. Ainda assim, ele e uma funcionária foram processados.

Abend acabou absolvido, e a funcionária foi condenada por estelionato, obrigada a pagar multa e a prestar serviços comunitários.

Casal assassinado, filho poupado

Uma família da pequena cidade de Pontes e Lacerda (MT), a cerca de 480 km de Cuiabá, desapareceu em outubro de 2011, quatro meses após ganhar o prêmio de R$ 1,4 milhão na loteria.

Depois de meses de busca, a polícia encontrou o filho do casal, então com um ano e meio, na casa de uma desconhecida no início de 2012. Os pais Raimundo de Souza, 46, e Liliane Saldanha, 25, haviam sido assassinados.

As investigações descobriram que o idealizador do crime foi um colega de Raimundo, que organizou os assassinatos depois de saber sobre o prêmio. O casal foi morto na noite do sequestro às margens da BR-070 e a criança foi deixada com um conhecido dos criminosos.

Cinco pessoas foram condenadas pelo crime. O colega de Raimundo foi considerado o articulador e pegou 35 anos e 8 meses de prisão por extorsão qualificada com resultado de morte e sequestro.

Filho forja sequestro para extorquir a mãe

Estes casos também envolvem desaparecimentos de mentira. Em fevereiro de 2014, um rapaz foi preso depois de forjar o próprio sequestro para extorquir a mãe, ganhadora de uma Mega da Virada.

A vítima era faxineira de um hospital nordestino, e havia participado de um bolão com os colegas. Ao todo, ela tinha ganhado por volta de R$ 2 milhões

O filho, que estava no interior paulista, ligou para a mãe dizendo que havia sido sequestrado e um amigo tinha vendido casa e moto para salvá-lo. Ela teria de restituí-lo no valor de R$ 250 mil.

A mulher suspeitou e chamou a polícia. Poucos dias depois, o amigo ligou e disse que queria mais R$ 50 mil, se não mataria o filho. Os policiais indicaram que a vítima fizesse um depósito menor e rastrearam o saque. A mãe reconheceu o próprio filho nas filmagens do caixa eletrônico. Os dois foram presos.

Milhões de reais, dois irmãos e uma acusação de furto

Um prêmio de R$ 7,8 milhões separou dois irmãos em Ribeirão Preto, interior paulista, em setembro de 2013. Depois da divulgação dos números, José Agostinho dos Santos, 40, acusou o irmão Rogério, 37, com quem morava, de ter furtado seu suposto bilhete premiado.

A bolada tinha sido dividida entre dois ganhadores: um de Guarulhos, na Grande São Paulo, e outro de Ribeirão. Segundo José, Rogério teria pegado seu bilhete premiado e sacado a quantia. O caso acabou na delegacia.

Para tentar enquadrar o irmão, José chegou a esconder um gravador em seu quarto. Rogério sempre negou que tivesse pegado o prêmio e a polícia não conseguiu provas de que José estivesse falando a verdade.

Embora a investigação não tenha chegado em nada, os dois pararam de morar juntos.

Fonte: UOL/Lucas Borges Teixeira.
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