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Por que empresas locais ainda erram ao tentar crescer no Instagram

Gabriel Malheiro

Gabriel Malheiro

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A presença na plataforma virou padrão entre pequenos negócios brasileiros, mas o que define quem vende e quem some no feed é uma combinação de fatores que a maioria dos empreendedores ignora.

Em uma rua comercial qualquer de Caçador, é comum encontrar três lojas vizinhas com perfis no Instagram. Uma posta todos os dias, outra publica uma vez por semana, a terceira atualizou pela última vez há quatro meses. Nenhuma das três vende pela plataforma.

O dono da primeira costuma reclamar que o esforço não compensa, o da segunda diz que tentou, mas o engajamento não aparece, e o terceiro desistiu antes de tentar entender o que estava errado. A cena se repete em praticamente todas as cidades de porte médio do Brasil e revela um problema editorial que vai além da tecnologia.

O Instagram deixou de ser uma vitrine. Para uma parcela significativa do varejo, dos prestadores de serviço e dos profissionais autônomos, virou parte direta do funil de vendas.

Segundo levantamento do Sebrae, 64% dos pequenos negócios brasileiros mantêm perfil ativo na plataforma para divulgar produtos e captar clientes. A presença, portanto, deixou de ser diferencial. O problema é que muitos confundem estar no Instagram com ser visto no Instagram, e essa diferença custa receita.

A presença digital se tornou padrão, mas a visibilidade não acompanhou

O cenário das pequenas empresas brasileiras mudou rápido nos últimos dois anos. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil registrou a abertura de 4,6 milhões de novos pequenos negócios, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Agência Sebrae de Notícias.

Em Santa Catarina, o ritmo é semelhante. O Governo do Estado informou que a abertura de empresas cresceu 21% no primeiro semestre de 2025, com 75,5 mil novos CNPJs registrados, dos quais 62,7 mil são Microempreendedores Individuais.

A grande maioria desses negócios nasce com presença digital já no primeiro mês de operação. Quase ninguém abre uma loja, um salão, uma confeitaria, um escritório de prestação de serviço ou uma pequena indústria sem criar antes o perfil no Instagram. O problema é que, no mesmo período em que as PMEs entraram em massa na plataforma, o alcance orgânico desabou.

Dados da Socialinsider apontam que o alcance orgânico do Instagram caiu cerca de 18% ao ano. Em 2024, segundo a Social Status, o alcance médio por post representou apenas 12,5% dos seguidores.

Em termos práticos, um perfil com 1.000 seguidores entrega cada publicação para algo em torno de 125 pessoas, e essa média não distingue entre quem é cliente em potencial e quem nem se lembra mais por que segue aquele perfil. A taxa de engajamento real, segundo o Índice Mlabs, caiu de 6% em 2023 para algo entre 4,5% e 5% em 2025.

A combinação desses dois movimentos forma o pano de fundo do problema. Mais empresas disputando o mesmo espaço, com cada vez menos alcance gratuito disponível, e quase nenhum empreendedor de pequeno porte preparado para entender que a regra mudou.

O comportamento do consumidor mudou antes da empresa perceber

O segundo erro recorrente é estratégico, não técnico. Muitos donos de negócio ainda tratam o Instagram como um folheto digital, repetem foto de produto, preço e o mesmo discurso que usariam em um panfleto impresso. O consumidor, no entanto, já não consome conteúdo dessa forma.

Pesquisa do Opinion Box sobre o comportamento dos brasileiros no Instagram em 2024 mostrou que 64% dos entrevistados consideram a plataforma a rede social mais utilizada, um salto significativo em relação aos 49% do ano anterior.

O dado mais relevante, porém, não é o de uso, mas o de comportamento de compra. A mesma pesquisa apontou que 68% dos usuários já compraram produtos ou serviços descobertos diretamente na plataforma, e que 82% têm o hábito de compartilhar conteúdos do Instagram com outras pessoas, enquanto 75% costumam salvar publicações para consultar depois.

O comportamento ficou silencioso. As pessoas continuam vendo os conteúdos, mas interagem menos com curtidas explícitas e mais com ações privadas, como salvar, encaminhar em direct ou enviar para um grupo no WhatsApp.

Para o algoritmo, isso significa que perfis que não geram esse tipo de interação invisível somem rapidamente do feed dos próprios seguidores. Para o empreendedor que avalia o desempenho apenas por curtidas, o número parece terrível, mas a explicação está em outro lugar.

O peso da prova social na decisão de compra

Há um terceiro fator, e talvez seja o mais subestimado por quem administra uma pequena empresa no interior. Quando o consumidor encontra um perfil no Instagram, antes mesmo de avaliar o produto, ele faz uma leitura quase instantânea de credibilidade.

Quantos seguidores tem aquela página. Quantas curtidas costumam ter as publicações. Quantas visualizações um vídeo recebeu. Quantos comentários reais aparecem.

Esse mecanismo tem nome no marketing há décadas e foi descrito pelo psicólogo americano Robert Cialdini sob a categoria de prova social. A lógica é simples. Diante de várias opções, o consumidor tende a confiar em quem aparenta já ser confiado por outras pessoas.

Um perfil com publicações que somam centenas de interações transmite a sensação de que outros consumidores já validaram aquele negócio. Um perfil com vinte curtidas e nenhuma visualização significativa transmite o oposto, mesmo que o produto seja excelente.

O dado que confirma esse comportamento aparece em pesquisas sucessivas. Segundo o E-commerce Trends 2025, 7 a cada 10 consumidores afirmam que as avaliações e a percepção pública influenciam diretamente sua decisão de compra.

Em uma pesquisa do Opinion Box sobre social commerce, 31% dos consumidores afirmaram deixar de comprar quando a empresa não tem redes sociais ativas, e o Instagram aparece como a rede de referência para 65% dos que compram diretamente em mídias sociais.

É nesse ponto que muitos empreendedores percebem que precisam fazer algo, mas escolhem o caminho mais lento e mais caro, que é tentar construir a prova social do zero, no orgânico, contra uma curva de alcance que cai 18% ao ano.

Outros buscam alternativas para acelerar a construção dessa percepção de relevância, recorrendo a serviços especializados em ampliar a base de visualizações de conteúdos curtos.

Quem deseja experimentar esse caminho com Reels, por exemplo, encontra fornecedores estabelecidos no mercado brasileiro que permitem comprar visualizações reels do Instagram como forma de testar o impacto que números mais altos têm sobre a recepção do público novo que chega ao perfil.

A opção divide opiniões entre profissionais de marketing, mas a lógica por trás dela é matemática. Conteúdos com mais visualizações tendem a ser entregues a mais pessoas pelo algoritmo, e o usuário comum que tropeça em um perfil pela primeira vez raramente investiga a procedência de cada número.

O que ele vê é uma marca que parece estar funcionando, e isso muda a probabilidade de ele dar o segundo passo, que é seguir ou clicar para conhecer o catálogo.

Por que o vídeo curto virou o eixo central

A mudança de eixo do Instagram para o conteúdo em vídeo curto não é uma tendência opcional. É uma reformulação estrutural da plataforma, conduzida diretamente pela Meta nos últimos dois anos. Quem analisa o desempenho dos perfis de pequenas empresas hoje observa que os Reels concentram, com folga, o maior potencial de alcance.

A explicação está no modelo de distribuição. Enquanto o feed tradicional entrega o conteúdo prioritariamente para quem já segue o perfil, o Reels é distribuído por interesse, comportamento e relevância imediata, alcançando perfis que nunca ouviram falar daquela marca.

Para um negócio local, em uma cidade como Caçador, com cerca de 74 mil habitantes, isso significa a possibilidade de aparecer para moradores da região que sequer sabiam da existência daquela loja, sem precisar pagar por anúncio.

A dificuldade prática é que produzir vídeo dá trabalho, exige câmera estável, iluminação razoável, voz, edição, ritmo e uma chamada que segure a atenção nos três primeiros segundos. Pequenas empresas, sobretudo as de cidades médias do Sul, costumam ter equipes pequenas e nenhum profissional dedicado a redes sociais.

O conteúdo é produzido pelo dono, pela esposa, por um sobrinho que entende um pouco de edição. O resultado quase sempre fica abaixo do que o algoritmo precisa para impulsionar.

Quando o vídeo é publicado e fica parado em poucas visualizações, o efeito é desmotivador. Muitos empreendedores abandonam o formato logo nas primeiras semanas, justamente o período em que o algoritmo ainda está testando a entrega do conteúdo para audiências distintas. A combinação de baixa produção técnica com baixa visibilidade inicial vira um ciclo de desistência.

O erro de tratar curtidas como vaidade

Outro vício recorrente entre empreendedores de cidades médias é o de subestimar a métrica de curtidas. Existe uma narrativa popular, repetida em palestras e cursos rápidos de marketing, de que curtida é vaidade, que o que importa é venda. A frase tem fundo de verdade quando se discute estratégia de longo prazo, mas é enganosa quando aplicada ao funcionamento real da plataforma.

Curtidas continuam sendo um dos sinais mais imediatos lidos pelo algoritmo na avaliação de relevância de um conteúdo. Publicações que acumulam interação nos primeiros minutos têm prioridade de distribuição.

Em paralelo, do ponto de vista do consumidor, uma publicação com vinte curtidas e outra com setecentas transmitem mensagens completamente diferentes sobre a saúde do negócio que assina aquele perfil.

A interação visível, portanto, cumpre duas funções simultâneas. Ela alimenta o algoritmo e alimenta a percepção pública. Ignorar isso e investir apenas em conteúdo bom, esperando que ele encontre seu público por mérito próprio, é uma aposta perdida na largada.

É por isso que parte dos pequenos negócios passou a tratar com seriedade estratégica a aquisição inicial de curtidas no Instagram, entendendo essa prática menos como um truque e mais como um investimento em prova social mensurável, semelhante ao que grandes marcas sempre fizeram ao patrocinar engajamento de forma indireta.

A diferença é que, antes, apenas empresas com orçamento publicitário robusto tinham acesso a esse tipo de aceleração. Hoje, com fornecedores especializados, um comércio local consegue testar o efeito de uma base maior de interações na percepção de quem visita o perfil pela primeira vez.

O ponto não é substituir o trabalho de conteúdo orgânico, mas dar a esse trabalho a chance de ser visto.

A diferença entre quem vende e quem some no feed

Há um padrão claro entre os pequenos negócios que conseguem transformar o Instagram em fonte real de receita e os que estagnam. A diferença raramente está no produto, e quase nunca está no orçamento. Está em como o empreendedor entendeu a plataforma.

Os que vendem tratam o perfil como um canal vivo, alimentado quase diariamente, com mistura de formatos, com chamadas para ação claras, com resposta rápida no direct, com bio bem construída, com link bem posicionado e com atenção contínua à prova social.

Os que somem publicam quando lembram, ignoram os comentários, deixam os direct sem resposta por dias e tratam o Instagram como uma obrigação a ser cumprida.

A pesquisa anual do Sebrae sobre maturidade digital dos pequenos negócios, conduzida em parceria com FGV/IBRE e Google, mostra que essa maturidade cresce no Brasil, mas o ritmo é desigual. Negócios do setor de serviços e do comércio varejista avançam mais rápido. Negócios industriais e do setor agropecuário ficam para trás.

Em Santa Catarina, onde a base industrial pesa, esse descompasso aparece com clareza em municípios como Caçador, em que a vocação tradicional de exportação madeireira convive com um comércio local que ainda engatinha na presença digital qualificada.

O que separa o investimento útil do desperdício

A discussão final que cada empreendedor precisa fazer é honesta. O Instagram exige tempo, exige estratégia e exige investimento. Tentar competir sem nada disso é insistir em uma corrida em que os concorrentes já saíram há muito tempo.

A boa notícia é que o ponto de partida não exige investimento massivo. Exige clareza de prioridades. Definir o público local, mapear a concorrência regional, planejar o conteúdo, escolher formatos que façam sentido para aquele tipo de produto, monitorar métricas reais e, quando for o caso, recorrer a recursos pagos que acelerem o que o orgânico não entrega mais com a velocidade necessária.

Empresas de Caçador, do Meio-Oeste catarinense, do interior paulista, do Sul de Minas, do agreste pernambucano, todas enfrentam a mesma equação. A plataforma é a mesma, o algoritmo é o mesmo, o consumidor brasileiro está conectado em comportamento semelhante.

Quem entende a mecânica do jogo cresce. Quem segue tratando o Instagram como um folheto digital colorido continua se perguntando por que o vizinho com produto pior tem mais movimento na porta da loja.

 

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