Polilaminina é apontada como esperança para pacientes com lesões na coluna
“O não eu já tinha.” A frase dita por Eduarda Atkinson, de 23 anos, resume a mistura de medo, esperança e coragem que marcou uma decisão capaz de transformar sua vida. Moradora de Jaraguá do Sul, ela se tornou a terceira paciente catarinense a receber um tratamento experimental com polilaminina e hoje vive uma das primeiras histórias que reacendem a esperança para pessoas com lesão medular.
A mudança começou após um grave acidente registrado no dia 17 de janeiro deste ano, na SC-110, entre Jaraguá do Sul e Pomerode. O carro em que a jovem estava saiu da pista e sofreu um forte impacto. O diagnóstico foi devastador: fratura na coluna, lesão medular e perda total dos movimentos das pernas.
Vieram então 63 dias de internação, sendo 18 deles em uma UTI, em meio a dores, incertezas e poucas perspectivas de recuperação. Foi durante esse período que a família ouviu falar pela primeira vez sobre a polilaminina, técnica experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e liderada pela bióloga Tatiana Coelho.
O tratamento busca estimular a regeneração das conexões da medula espinhal afetadas pela lesão. A substância funciona como uma versão aprimorada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e ligada à reparação de tecidos.
Mesmo sem garantias, Eduarda decidiu tentar.
“Risco por risco, pelo menos eu tinha uma chance, e eu não quis desistir”, contou.
Para conseguir realizar o procedimento, a família precisou entrar com ação judicial, reunir equipe médica e assinar termos reconhecendo o caráter experimental da técnica. O tratamento foi realizado no dia 24 de março de 2026, no Hospital Unimed Foz do Iguaçu, após uma viagem de aproximadamente 700 quilômetros até o Paraná. Sem condições de fazer o trajeto de carro, a jovem recebeu ajuda de um empresário de Jaraguá do Sul, que disponibilizou transporte aéreo.
A aplicação da polilaminina durou cerca de 30 minutos e foi feita diretamente na medula, em pontos acima e abaixo da lesão. Depois de 24 horas de observação, Eduarda recebeu alta.
Mas o momento que mudou tudo veio apenas nove dias depois.
Durante uma sessão simples de fisioterapia dentro do quarto, ela conseguiu mover a perna pela primeira vez desde o acidente.
“Ficamos repetindo umas cinco vezes seguidas. Até a gente se olhar e pensar: ‘não, pera… acho que isso está acontecendo mesmo’”, relembrou.
O quarto se transformou em um cenário de emoção. Pais, irmã e namorado acompanharam o momento histórico, marcado por lágrimas e comemoração.
“Não existem palavras para explicar”, afirmou.
Desde então, Eduarda segue em fisioterapia diária e sob acompanhamento constante da equipe médica. Como o tratamento ainda é experimental, cada evolução e sensação relatada pela paciente é monitorada e registrada pelos profissionais envolvidos no estudo.
Com informações ND Mais










