Quem saiu do trabalho em algumas empresas de Caçador pode ter recebido um papelzinho azul e branco com a pergunta “O que cada candidato propõe para o Brasil?”.
O panfleto compara Lula e Flávio Bolsonaro em cinco temas: escala 6×1, aposentadoria, salário mínimo, Farmácia Popular e programas sociais. Em todos eles, as piores intenções são atribuídas a Flávio. Na face fotografada, o material não traz CNPJ nem tiragem.
A primeira afirmação não se sustenta. O panfleto diz que Flávio é contra o fim da escala 6×1, mas ele votou a favor da PEC no Senado, nos dois turnos, mesmo sem estar no plenário. Ele já tinha chamado a medida de oportunista, mas recuou e apoiou a proposta, aprovada por 75 votos a 1.
Nos outros temas, o folheto apresenta como fato o que são suspeitas levantadas por adversários. Na sexta-feira (16), Flávio afirmou que manterá os reajustes do salário mínimo acima da inflação e que não pretende desvincular as aposentadorias do mínimo. A Folha relatou que a equipe econômica discutia limitar esses reajustes, mas a campanha nega que seja compromisso oficial. A Farmácia Popular nem aparece no plano de governo dele, e o alerta de cortes partiu do ministro da Saúde. Sobre os programas sociais, a equipe de Flávio defende cortar despesas, mas ainda não disse quais.
Em Caçador, a Polícia Militar não foi acionada, e o material seguiu circulando na saída das empresas. Em Jaraguá do Sul, o desfecho foi outro. Na terça-feira (20), um grupo foi abordado pela PM e pela Justiça Eleitoral ao distribuir os panfletos na entrada da WEG. O juiz mandou suspender a distribuição e entregar os exemplares em 24 horas. Ele considerou o material apócrifo, por não informar quem fez, quem pagou nem a tiragem, e lembrou que a entrada de uma fábrica é local onde a distribuição de material de campanha é proibida.
O segundo turno é neste domingo (25). Quem receber material sem identificação pode denunciar à Justiça Eleitoral pelo aplicativo Pardal ou pelo telefone 0800 647 3888.
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