Variante HKU5 do coronavírus encontrada em morcegos já mostra sinais de adaptação ao corpo humano e está a um passo infectar pessoas, segundo estudo de universidade dos EUA
O vírus HKU5-CoV-2 pertence ao mesmo grupo do MERS, que já causou epidemias, principalmente no Oriente Médio, com alta taxa de mortalidade. Testes laboratoriais demonstraram que o HKU5 tem a capacidade de se conectar ao receptor ACE2 das células de morcegos da espécie Pipistrellus abramus – o mesmo receptor utilizado pelo SARS-CoV-2, causador da pandemia global de 2020. O artigo com as descobertas foi publicado na prestigiada revista Nature Communications.
A pesquisa aponta que, embora o HKU5 se ligue facilmente ao ACE2 dos morcegos, algumas mutações podem permitir que ele também se ligue ao ACE2 humano, abrindo caminho para infecções em pessoas. Um detalhe particularmente preocupante é que os morcegos da espécie Pipistrellus abramus vivem em proximidade a áreas habitadas por humanos. Essa proximidade aumenta significativamente as chances de o vírus “pular” diretamente dos animais para as pessoas, sem a necessidade de um animal intermediário, como ocorreu com o vírus da Covid-19.
Até o momento, não há evidências de que a nova cepa do coronavírus tenha infectado humanos. No entanto, os cientistas enfatizam que o risco é real e que é essencial manter a vigilância, continuar pesquisando e investir em vacinas que possam oferecer proteção contra diversos tipos de coronavírus.
O estudo também revelou que a estrutura desse novo vírus pode facilitar sua adaptação ao corpo humano. Algumas versões do HKU5 já mostram sinais de evolução para se adaptar melhor ao nosso organismo, o que torna ainda mais urgente o acompanhamento desses avanços.
Para evitar futuros surtos, os especialistas recomendam reduzir o contato com animais silvestres, como morcegos, e adotar a abordagem “Uma Só Saúde”, que reconhece a interconexão fundamental entre a saúde dos humanos, dos animais e do meio ambiente.








