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“Não adianta hospital de campanha e mais respiradores, faltam profissionais”

“Não adianta abrir hospital de campanha, adquirir mais respiradores ou qualquer outro equipamento. O que falta são profissionais para atuar na linha de frente”. Com este desabafo, o médico Daniel Correa, do Maicé, encerrou uma entrevista coletiva, realizada na tarde desta sexta-feira, 5, na Secretaria Municipal de Saúde de Caçador.

Na pauta, as ações da Prefeitura para tentar auxiliar o hospital nas ações de combate à Covid-19. “A situação é péssima. O Maicé está em colapso. Por isso, vamos ceder profissionais da Prefeitura para que possamos ampliar o número de leitos de UTI Covid no hospital. Entretanto, teremos que cortar na carne: temporariamente, fecharemos dois postos de Saúde, no Bom Jesus e Jonas Ramos, redirecionar as equipes para a UPA e, os da UPA, para o Maicé”, revelou o secretário Roberto Marton.

A Prefeitura, no entanto, já irá chamar novos profissionais para estas unidades, utilizando aqueles aprovados no processo seletivo, reabrindo assim, em breve, estes postos. “Trata-se de uma situação emergencial

Na noite desta quinta-feira, 4, o Maicé tinha 7 pacientes intubados na Emergência, além de 12 nas UTIs e, mais 3, precisando de respiradores. “São pessoas de várias idades, mas o que nos deixa ainda mais preocupados é que existem alguns, mais novos, na faixa de 30 a 50 anos, que estão internado e precisando de respiradores. Temos, certamente, uma variante muito mais agressiva e uma doença que vai trazer ainda muitas perdas se não nos ajudarmos”, acrescentou o dr. Daniel.

Uma das situações apresentadas ainda na coletiva é de que, apesar da lotação, o Maicé continua atendendo todos os outros problemas de Saúde, tanto nos leitos normais, quanto nas UTIs. “Somos um hospital “porta aberta”, ou seja, temos especialidades e pacientes que não podemos dispensar. São traumas, infartados, acidentados. Continuamos atendendo normalmente”, explicou o médico.

Por parte da Prefeitura, será disponibilizado um médico plantonista 12 horas, todos os dias, 8 técnicos de enfermagem e mais 1 enfermeiro para auxiliar no Maicé. Com isso, os leitos de UTI poderão ser ampliados para 15. “O hospital não tem mais funcionários disponíveis. Não há profissionais no mercado para atuar em UTIs. A situação está realmente muito grave”, salientou o secretário Roberto.

Para se ter uma ideia, o primeiro dos 7 pacientes em Caçador aguardando transferência, é o 30º na lista de regulação do Governo do Estado. “Então, é preciso liberar 29 leitos em Santa Catarina para que possamos enviar o nosso paciente. O sistema de Saúde de SC entrou em colapso e não há mais vagas”, lamentou o secretário, relembrando que as pessoas precisam seguir os protocolos: “usar máscara, higienizar as mãos e manter o distanciamento. Isso é fundamental para podermos salvar vidas”.

Novas variantes

O que assola Santa Catarina atualmente são as novas variantes da Covid-19. “Notamos na segunda onda é que ela está pegando pessoas mais jovens. Os pacientes apresentam sintomas leves no início e pioram no 10º dia. Assim, quando chegam ao hospital, já estão muito graves. Se todos nós não fizemos a nossa parte, vai ser humanamente impossível superar este momento”, finalizou o dr. Daniel.

 

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