Incentivado pela “webnamorada”, adolescente que matou a família em Itaperuna se inspirou em jogo de terror e considerou atirar os cadáveres aos porcos

Investigadores, ao analisarem o computador da garota, descobriram que o casal trocou mensagens em tempo real enquanto o adolescente, de 14 anos, assassinava os pais e o irmão de apenas 3 anos em sua casa, na noite de 21 de junho. Após a execução, a namorada enviou a chocante solicitação para que ele “tirasse foto” dos corpos.
O adolescente usou a arma do pai, um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), e esperou as vítimas dormirem para cometer o crime. Em uma das mensagens, ele afirmou que o pai deveria ser morto primeiro, por representar maior risco à execução do plano. A frieza dos diálogos impressionou os investigadores, que também descobriram que os jovens conversaram sobre maneiras de desaparecer com os cadáveres, mencionando desmembramento, incineração e até mesmo alimentação para porcos.
“As conversas que identificamos entre eles são conversas que assustam qualquer pessoa. A frieza com que eles conversavam sobre a morte dos pais daquele jovem, sobre como eles iriam se desfazer daqueles corpos”, destacou o delegado Mateus Soares Augusto, da Polícia Civil do Mato Grosso. Ele revelou um trecho específico das mensagens: “Em determinado momento em que o jovem atira no seu pai, ele manda mensagem dizendo ‘atirei no meu pai’. E ela incentiva dizendo: ‘agora atira nela’, se referindo à mãe.”
Motivação, outras vítimas e inspiração em jogo de terror
O menino confessou o crime em 25 de junho, quando a perícia descobriu os corpos das vítimas dentro da cisterna da casa. Sobre a motivação, o adolescente alegou que foi impedido pelos pais de viajar para encontrar a namorada virtual. O plano do casal era morar junto: ele se mudaria para o Mato Grosso, onde trabalharia em um supermercado como empacotador.
A investigação também revelou que o adolescente pesquisou como sacar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de falecidos logo após o crime. O pai dele teria direito a R$ 33 mil, valor que poderia ser usado na viagem para encontrar a namorada.
A Polícia Civil ainda descobriu que o casal planejava fazer mais vítimas. A adolescente de 15 anos considerou matar a própria mãe em Água Boa, Mato Grosso, e teria pedido para o namorado virtual levar a arma quando viajasse. “O objetivo final deles era ficar junto e matar todos que aqueles que os impedissem de viver esse sonho, de viver esse amor proibido”, explicou o delegado Mateus Soares Augusto.
O garoto também planejou matar a avó, mas desistiu por receio de chamar atenção. Em um ato de frieza extrema, ele chegou a acompanhá-la na delegacia para registrar o desaparecimento dos familiares após o crime.
O delegado Carlos Augusto da Silva, do Rio de Janeiro, confirmou que o casal mantinha um relacionamento virtual há seis anos e que teriam se inspirado em um jogo de terror que retrata um casal de irmãos que mantêm relações incestuosas e matam os pais. “Eles se identificavam com esse jogo, mas não jogavam. Pesquisei e vi que esse jogo chegou a ser banido na Austrália e voltou a ser reclassificado como para maiores de 18 anos”, disse. Mensagens obtidas pela polícia mostram a namorada virtual pressionando o adolescente com frases como “tem que ser homem e vir me ver”, caracterizando chantagem emocional.








