Parlamentares se reuniram com ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e autoridades do governo brasileiro para discutir agenda em Washington com representantes dos EUA
A decisão de criar o colegiado temporário, articulada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), foi tomada na última semana de funcionamento do Senado antes do recesso. Trad argumentou sobre a urgência da questão e o curto prazo para encontrar uma solução, visto que os trabalhos do Congresso serão retomados apenas após o início da vigência do aumento da tarifa.
A agenda da missão oficial na capital norte-americana, que ocorrerá de 28 a 30 de julho, prevê conversas com empresários e parlamentares dos EUA. “A agenda técnica será concluída até o final desta semana, quando nós vamos nos reunir com empresários americanos que têm negócios com o Brasil e com empresários brasileiros que têm negócios com os Estados Unidos. Parlamentares no dia subsequente para que nós da comissão possamos demonstrar a intenção de estreitar a relação diplomática com os Estados Unidos. Não pode ficar fria da forma como está”, comentou Nelsinho Trad em vídeo divulgado nesta quarta-feira (23).
Esforços do governo federal e impasse diplomático
Nesta quarta-feira, a comitiva de senadores participou de uma reunião virtual com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e outras autoridades do governo federal. Vieira apresentou as iniciativas do Itamaraty nas negociações com os Estados Unidos, que incluem discussões com o setor privado e autoridades do Tesouro norte-americano.
Segundo nota sobre a reunião, o ministro reforçou aos parlamentares que o Brasil tem destacado nas conversas o superávit norte-americano na balança comercial e a complementaridade entre as economias dos dois países, argumentos cruciais para a defesa brasileira.
Além do chanceler, a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, e outros representantes da diplomacia brasileira participaram da reunião virtual. A versão do governo é que um diálogo entre os países já existia antes do anúncio do aumento da tarifa, com o intuito de comprovar aos EUA que o Brasil não deveria estar na lista de nações tarifadas. Representantes do Itamaraty indicaram que as conversas evoluíram até o dia 4 de julho, quando uma resposta da Casa Branca sobre as negociações ficou pendente.
A dificuldade de contato a partir do dia 4 de julho também foi mencionada anteriormente pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB). Nas últimas semanas, Alckmin tem conduzido reuniões com empresários para debater soluções para o tarifaço.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, e o chefe de gabinete do vice-presidente, Pedro Guerra, informaram aos senadores a avaliação dessas conversas com o setor privado. Pedro Guerra destacou que o governo tem identificado as demandas dos setores de agronegócio, mineração, big techs e produtos perecíveis, evidenciando a abrangência do impacto da tarifa.








