Cirurgia com tecnologia de neuronavegação no Hospital Infantil Joana de Gusmão traz esperança de recuperação dos movimentos para menina de 9 anos
A doença provoca deformidades severas na coluna vertebral e compromete funções neurológicas e respiratórias. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o procedimento utilizou tecnologia de neuronavegação, semelhante a um GPS cirúrgico, que garante maior precisão e segurança. A técnica amplia as chances de recuperação neurológica da paciente, que atualmente está paraplégica.
Do Maranhão a Santa Catarina: uma nova chance
Natural do interior do Maranhão, Sarah passou grande parte da infância sem acesso a atendimento médico especializado. Sem tratamento adequado, a doença evoluiu para compressão da medula espinhal em múltiplos níveis, o que resultou em paraplegia e também em dificuldades alimentares, levando à desnutrição.
A mudança da família para Forquilhinha, no Sul catarinense, marcou um ponto de virada. No Hospital Infantil Joana de Gusmão, Sarah passou por uma série de consultas, exames e avaliações até chegar ao planejamento cirúrgico.
“O caso da Sarah exigiu um procedimento de extrema complexidade. Ela apresentava compressão medular desde o nascimento. Para nossa surpresa, além da correção obtida durante a cirurgia, a paciente já demonstra sinais iniciais de recuperação, como melhora da sensibilidade e redução da espasticidade. Ainda é um período precoce, mas os avanços nos trazem grande expectativa a longo prazo”, destacou o chefe do Serviço de Ortopedia Pediátrica do HIJG, André Luis Fernandes Andújar.
Cirurgia de alta complexidade e esperança renovada
A cirurgia foi realizada em duas etapas, em semanas diferentes, com o auxílio de neuronavegação e modelagem em 3D, que permitiu aos médicos maior compreensão da deformidade e precisão durante a intervenção. Pela raridade do caso e pelo uso da técnica avançada, o procedimento foi acompanhado por especialistas de outros estados e até de países vizinhos.
Para a mãe, Maria Gomes da Paz, o atendimento rápido e humanizado foi decisivo. Em poucos meses, o caso foi avaliado, priorizado e incluído no planejamento cirúrgico. Em janeiro, mãe e filha retornaram ao hospital para reavaliação, celebrando cada pequeno avanço.
“Nosso sonho é que ela volte a caminhar, faça a fisioterapia e tenha qualidade de vida. Ver minha filha andando é o sonho de toda mãe. Só tenho gratidão pelo acolhimento e por tudo que fizeram por nós”, disse Maria, emocionada.
A partir de agora, Sarah seguirá em acompanhamento ambulatorial no serviço de ortopedia pediátrica do Hospital Infantil Joana de Gusmão e realizará sessões de fisioterapia no município onde reside, mantendo viva a esperança de uma nova etapa em sua vida.








