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Médico é afastado definitivamente do Hospital Maicé por violência obstétrica e condenado com hospital a pagar R$ 300 mil

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Maicé

Decisão atende ação do Ministério Público após denúncias de pacientes e impõe mudanças no atendimento à saúde da mulher em Caçador

Um médico denunciado por práticas de violência obstétrica e ginecológica contra pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) foi afastado definitivamente do Hospital Maicé, em Caçador. A decisão atende a uma ação civil pública do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que também condenou o profissional e a unidade hospitalar ao pagamento solidário de R$ 300 mil por dano moral coletivo. O valor será destinado ao Fundo Estadual de Reconstituição dos Bens Lesados.

As investigações tiveram início em 2023, após uma série de denúncias feitas por mulheres atendidas no hospital. As pacientes relataram episódios de grosseria, desrespeito, intimidação e descumprimento de normas legais, incluindo a falta de observância às diretrizes do parto humanizado.

À época, o médico já havia sido afastado de forma temporária por decisão liminar. Com a sentença, a medida passa a ser definitiva. Conforme o Ministério Público, os episódios não foram pontuais. As apurações indicaram condutas reiteradas que causaram dor, medo e constrangimento às pacientes, além de relatos graves que associam a atuação do profissional a mortes de bebês.

Segundo o MPSC, há casos em que nascituros teriam morrido em decorrência de práticas caracterizadas como violência obstétrica. Mulheres relataram ter deixado o hospital com seus bebês mortos nos braços, evidenciando a gravidade das situações investigadas.

Entre os depoimentos colhidos, uma paciente afirmou que o exame de toque foi realizado de forma agressiva, provocando dor intensa e sangramento. Outra relatou que, ao buscar atendimento para a retirada de tumores vaginais, foi tratada de maneira hostil, sendo chamada de “burra, surda e gorda” pelo médico, além de ter sido inicialmente dispensada sem atendimento adequado. Posteriormente, o procedimento cirúrgico foi realizado por outro profissional.

Há ainda o caso de uma mulher que permaneceu por cerca de 12 horas em trabalho de parto e foi repreendida pelo médico por ter engravidado em idade considerada avançada. Após o nascimento, ao questionar por que o bebê não chorava, teria ouvido como resposta: “Porque você está chorando por ele”. A criança nasceu desfalecida, mas foi reanimada e sobreviveu.

Além da condenação, a sentença impôs uma série de obrigações ao hospital. Entre elas, a capacitação contínua de médicos e enfermeiros na área de saúde da mulher, com foco em atendimento humanizado, e o aprimoramento dos canais de comunicação, permitindo inclusive denúncias anônimas sobre eventuais situações de discriminação.

O Hospital Maicé também deverá garantir a consulta prévia às gestantes sobre a participação de estudantes durante o parto, adotar boas práticas de atenção ao parto e nascimento conforme diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e implementar o Plano Individual de Parto, assegurando o direito à informação e à presença de acompanhante.

A decisão ainda determina que o hospital registre, nos prontuários médicos, justificativas clínicas para a adoção de práticas não recomendadas de forma rotineira, além de assegurar o contato imediato entre mãe e bebê após o nascimento e incentivar o aleitamento materno na primeira hora de vida, salvo em casos devidamente justificados por critérios médicos.

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