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Mapa de Risco de SC mostra tendência de queda de casos, mas ‘situação ainda é muito grave’

A nova atualização do Mapa de Risco da Covid-19 em Santa Catarina, divulgada neste sábado (31), mostra uma tendência de queda no número de novos casos diários, mas “não podemos considerar que a pandemia está sob controle”.

A análise é do professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenador do NECAT (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), Lauro Mattei. Segundo ele, o cenário ainda está “longe de ser confortável”.

A matriz de risco divulgada no sábado conta com novidades. Agora, é considerado o percentual de vacinação nas 16 regiões do Estado e, além disso, o de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponíveis será baseado a cada 100 mil habitantes.

Lauro Mattei enxerga três aspectos fundamentais relativos à pandemia que ocorreram no último mês no Estado.

São eles: “flexibilização quase total das medidas preventivas; expansão da vacinação (julho foi o mês com maior número de pessoas vacinadas até o momento); consolidou-se uma tendência de queda do número de novos casos diários”, aponta.

Quanto à tendência de queda observada pelo analista, ele esclarece que nos últimos 14 dias houve uma queda de 21% na média semanal móvel de novos casos diários.

“Mesmo assim, ainda não podemos considerar que a pandemia está sob controle total, uma vez que a taxa de transmissão ao final de julho ainda era elevada (0.94), inclusive variando entre 0.90 a 1.0 entre as mesorregiões. Isso indica que o vírus ainda circula expressivamente no Estado. Neste sentido, avalio que a situação ainda é muito grave em Santa Catarina, não permitindo nenhum relaxamento em relação às medidas de prevenção à doença”, alerta Mattei.

Situação melhorou, mas está “longe de ser confortável”

Felizmente o cenário apresenta uma grande melhora comparado aos piores momentos da pandemia, que foram vividos há poucos meses. No entanto, o especialista avisa que ainda há muita luta para o Estado se livrar de vez do vírus.

“Obviamente que se compararmos a situação atual, do mês de julho, comparativamente à situação caótica vivida entre os meses de fevereiro a maio, a situação está bem melhor agora. Mas ainda está longe de ser um cenário confortável, o qual foi obtido nos meses de setembro e outubro de 2020, quando a média semanal móvel de casos era inferior a 900 casos/ dia e a média semanal móvel de óbitos ficou abaixo de 10 mortes diárias. Portanto, ainda temos um longo caminho pela frente para vencer essa batalha…”, diz.

Há algum ponto crítico no Estado?

Nos últimos tempos, foi comum alguns locais do Estado despontarem como o epicentro da pandemia em determinadas épocas. Segundo Mattei, a última atualização do Mapa de Risco não aponta alguma região em destaque para este tipo de risco.

“A doença está em todo Estado, não sendo factível indicar neste momento o ponto mais grave da situação como nós vimos recentemente em Chapecó, depois na Grande Florianópolis e posteriormente no Planalto Norte-Nordeste.”

Quais são os passos para o recuo definitivo da doença em SC

Do ponto de vista do controle da pandemia em Santa Catarina, Lauro Mattei considera crucial que não se dê unicamente pela vacinação, que é a “solução definitiva”.

“Por isso, entendemos ser muito importante ainda manter umas medidas restritivas no sentido de se atuar preventivamente: manter todos os cuidados básicos recomendados pelos órgãos de saúde e, mais importante, seguir rigorosamente o cronograma de vacinação, não esquecendo das duas doses”, afirma.

Para ele, o avanço da vacinação é ponto fundamental para vencer a Covid-19, mas isso depende de um esforço da população.

“Indiscutivelmente a imunização completa da população deverá ser o diferencial, como temos visto em países em que a imunização da população avançou mais rapidamente que entre nós. Ainda teremos longos meses pela frente em que cada um deverá manter todos os cuidados no sentido de não facilitar a propagação da virose, sobretudo diante da eminência de uma nova onda decorrente da nova variante que já está no Estado”, conclui.

Veja cada parâmetro do Mapa de Risco

O mapa de risco leva em consideração quatro parâmetros. Este é o primeiro mapa com novos critérios adotados pelo governo do Estado.

Gravidade: Ocorrência de óbitos por Covid-19 e Tendência de Internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave.

De acordo com o boletim do Estado, nas regiões em laranja, o nível das ocorrências registradas em Santa Catarina ainda é considerado “grave”.

Transmissibilidade: RT e casos infectantes.

Todas as regiões do Estado registram classificação Alta, Grave ou Gravíssima para o aumento de casos de Covid-19.

Monitoramento: Percentual de vacinados (D2 ou dose única) e variação de casos semanal.


O monitoramento passa agora a avaliar o percentual de vacinados com calendário completo no Estado e a variação de casos na semana. Todas as regiões ainda estão classificadas em Risco Alto, Grave ou Gravíssimo.

Capacidade de atenção: Taxa de ocupação de leitos de UTIs reservadas para Covid-19 (a cada 100 mil habitantes).


Cinco regiões estão classificadas em risco moderado em sua capacidade de atenção, o restante permanece em alerta com níveis mais altos de risco.

Com informações ND Mais 

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