“Mandaram matar os baianos”, diz resgatado de vinícola no RS

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Três homens resgatados de situação análoga à escravidão em vinícola no Rio Grande do Sul prestaram depoimento ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Nos relatos, o trio descreve agressões, refeições com aspecto estragado e jornada de trabalho exaustiva. Um deles ainda informou que ouviu uma ordem de “matar os trabalhadores baianos”. As informações são do jornal O Globo, que teve acesso ao documento.

Empregados pela empresa Fênix Prestação de Serviços, que operava de forma terceirizada em vinícolas como Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, os três homens decidiram, no dia 21 de fevereiro, enviar um vídeo no grupo de WhatsApp da empresa para denunciar as condições de trabalho. Na gravação, o trio, encharcado, revela o prato de comida que haviam recebido: arroz, feijão e frango com aspecto estragado.

No depoimento, os trabalhadores relatam mais do cotidiano vivido na vinícola. Após a colheita, eles eram recebidos no alojamento por seguranças do chefe da empresa. Agressões em formas de mordidas, choques, socos e enforcamentos era o tratamento comum dado a eles.

Vindos da Bahia, os homens chegaram a Bento Gonçalves, município do Rio Grande do Sul, para trabalhar nas vinícolas. O acordado em contrato assinado foi de que eles trabalhariam durante 45 dias, com jornada diária de 15 horas, por um valor de R$ 3 mil. O montante nunca foi pago.

O dono da empresa operava um pequeno mercado dentro da vinícola, onde vendia itens básicos aos trabalhadores. Em posse de R$ 400, dado pelo empregador, os homens poderiam comprar no local. O valor dos produtos, contudo, estava muito acima do preço normal de mercado. Para ilustrar, um pacote de biscoito de água e sal era vendido a R$ 15.

No que diz respeito à higiene, o alojamento disponibilizava de quatro privadas para mais de 200 trabalhadores. Os quartos eram compostos por beliches amontoados e não recebiam qualquer tipo de limpeza ou manutenção.

Relatos

Um dos homens, de 36 anos, conta que eles tinham de usar a própria roupa de cama e travesseiro. Como alguns não dispunham, tinham de improvisar com mochilas e outros objetos. Ele relata que, na véspera da fuga, foi encurralado por quatro seguranças, que o espancaram com cabo de vassoura, usaram spray de pimenta e o morderam. Em seguida, dois colegas também foram espancados por eles. Por fim, ele cita uma ordem de “matar os trabalhadores baianos”.

Outro trabalhador, de 20 anos, aponta que foi acordado com choques. Sobre o trabalho, ele diz que os equipamentos de proteção se resumiam a um par de luvas e botas. Os objetos, de baixa qualidade, rasgaram com rapidez e não foram substituídos. Ele ressalta que o contrato previa a cessão de óculos de sol e protetor solar, o que não aconteceu.

O terceiro homem, de 23 anos, completa que a marmita não vinha acompanhada de talheres. Os trabalhadores que não tivessem, tinham de usar a tampa da marmita de forma improvisada. Ele acrescenta que a água também era responsabilidade dos empregados.

Nos relatos, um deles revela ter desmaiado durante o trabalho. Um dos funcionários da empresa o levou de carro ao hospital. Na volta, ele teve de caminhar por 4 km. Outro homem alega ter visto dois trabalhadores se esfaquearem e, ainda assim, irem trabalhar no dia seguinte.

Os funcionários da empresa andavam sempre armados e ameaçavam os empregados. “Fomos agredidos com uma cadeira de ferro na cabeça e socos na cabeça e nos braços. Durante as agressões, fomos ameaçados de morte.”, revela um dos homens.

A fuga ocorreu no dia 22 de fevereiro. O grupo pulou da janela do alojamento para uma laje vizinha, que ficava a uma queda de 2 metros. Dali, foram mais 5 metros em um pulo para um jardim à altura do chão. Com um celular escondido, um dos homens pediu dinheiro à família e chamou um carro de aplicativo.

O veículo os levou até um posto de gasolina em Garibaldi, onde eles se esconderam no banheiro. Pouco tempo depois, acionaram outro carro de aplicativo até a rodoviária local e partiram para Caxias do Sul. Durante a viagem, contataram um agente da Polícia Rodoviária Federal em um posto situado na estrada.

Repúdio

Em resposta, as vinícolas repudiaram os fatos relatados pelos trabalhadores. Elas alegam ter exterminado o contrato com a empresa Fênix Prestadora de Serviço e anunciaram mudanças na fiscalização para que o evento não se repita. Além disso, dizem estar colaborando com as autoridades para que o caso seja devidamente investigado.

Com informações Metrópoles 

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