Mãe chegou à casa da família por volta das 21h30 e foi encontrada morta na manhã seguinte
A tragédia que chocou Criciúma nesta quinta-feira (20) ganhou contornos ainda mais dramáticos após a confirmação de que Rita de Cássia da Silva Silveira, de 59 anos, havia chegado à cidade apenas algumas horas antes de ser morta pelo próprio filho. Moradora de Joinville, Rita desembarcou na casa da família por volta das 21h30 da noite anterior, segundo relato do genro, Isac Casteller Duarte. Horas depois, seria encontrada morta dentro de um dos quartos.
O crime ocorreu na manhã de quinta-feira, na residência localizada no bairro Vila São José. Além de Rita, a filha dela, Talia da Silva Silveira, de 28 anos, também foi assassinada. O autor do duplo homicídio foi Kelvin da Silva Silveira, de 31 anos, filho e irmão das vítimas.
Relação familiar e sinais de desequilíbrio
Isac afirma que a família mantinha um relacionamento aparentemente pacífico com Kelvin, embora ele apresentasse episódios de comportamento estranho nos meses anteriores.
“A gente tinha umas discussões, mas nunca chegou ao ponto de agressão”, comentou.
Segundo o genro, Kelvin demonstrava sinais de transtorno psicológico e mudanças bruscas de comportamento:
“Há três meses ele falava em alienígena, já tinha umas crises. Ele brincava com o isqueiro, mirava na menina e fingia que matou. Mas nunca passou pela nossa cabeça que ele ia fazer uma coisa dessas”, relatou.
O ataque
Na manhã do crime, Kelvin entrou em surto dentro da casa da família. Ele atacou a mãe e a irmã utilizando uma faca. Talia foi encontrada caída no pátio, enquanto Rita estava morta dentro de um dos quartos — o mesmo onde havia dormido poucas horas antes, após chegar de Joinville.
A Polícia Militar encontrou o agressor do lado de fora, armado com uma faca e uma espingarda de pressão, ameaçando vizinhos e recusando-se a se entregar. Ao avançar contra os policiais, Kelvin foi baleado e morreu diante da residência.
Os agentes relataram sinais de luta e marcas de sangue por vários cômodos. A perícia confirmou o uso de arma branca no ataque.
Criança consegue escapar
Uma criança de três anos, familiar da família, estava no local no início do ataque. Testemunhas contaram que Kelvin chegou a apontar uma arma para ela, mas a criança conseguiu fugir e correr até a casa de vizinhos, onde se abrigou até a chegada da PM.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil e a Polícia Científica ainda analisam as evidências e apuram a motivação do surto homicida. Relatos de familiares e vizinhos indicam que Kelvin era usuário de drogas e apresentava histórico de agressividade e possível transtorno psiquiátrico.
Rita, que morava em Joinville e visitava a família apenas por poucos dias, foi morta poucas horas após chegar à casa onde buscava acolhimento. A viagem, que deveria ser de convivência familiar, terminou em uma das tragédias mais chocantes registradas no Sul catarinense em 2025.








