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Lula usará 1ª reunião ministerial para dizer que anúncios devem ter aval do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou a primeira reunião ministerial para a manhã da próxima sexta-feira, 7. De acordo com integrantes do primeiro escalão, o objetivo no encontro é alinhar as ações do governo e deixar claro que anúncios devem ter aval do Planalto.

O convite foi enviado para os 37 titulares das pastas por Oswaldo Malestra, chefe de gabinete adjunto da agenda de Lula. O encontro ocorrerá às 9h30, no Palácio do Planalto.

“A pauta da reunião é alinhamento das ações de governo e alinhamento de procedimentos garantindo uma ação coordenada e articulada da gestão”, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.

O encontro ocorre após a posse da maioria dos titulares dos ministros e em meio a um diferente entendimento no seu primeiro escalão a respeito de reformas. De acordo com Costa, a reunião tratará sobre o tema.

“O presidente já marcou a primeira reunião ministerial, para, inclusive, organizar e reafirmar, e ele acabou de me dizer, qualquer proposta só será encaminhada, evidente, depois da aprovação do presidente da Repúblicas”, disse Rui Costa.

“E qualquer proposta, ele vai dizer isso da reunião, passará necessariamente pela Casa Civil antes de sua análise”, seguiu.

A declaração foi em resposta e desautorizando o ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).

Na terça-feira, 3, Lupi disse que quer criar uma comissão com representantes de sindicatos patronais, empregados, aposentados e governo para discutir o que chamou de “antirreforma” da Previdência, aprovada do governo de Jair Bolsonaro (PL).

As falas de Lupi na terça foram mal recebidas pelo mercado financeiro. Após o discurso, a Bolsa aprofundou a queda e encerrou o dia com recuo de 2%, aos 104.165 pontos. O dólar teve alta de 1,77% na terça, cotado a R$ a R$ 5,4520 na venda, maior valor desde o final de julho.

“Só para tranquilizar. Eu sei que todo mundo tem o direito a opinião, mas neste momento não há nenhuma proposta de reforma da Previdência ou coisa semelhante”, disse Rui Costa após participar da cerimônia de posse de Geraldo Alckmin no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Além das declarações de Lupi, integrantes do Planalto avaliam que outros membros do governo têm gerado ruídos desnecessários com o mercado e outros atores da política.

Há avalição de que a equipe de Haddad, além do próprio, precisam ter cautela dobrada ao dar declarações, uma vez que elas têm impacto nos indicadores econômicos.

Aliados de Lula também citaram a entrevista da ministra da Mulher Cida Gonçalves, à Folha, na qual ela afirmou que qualquer pauta sobre aborto que fosse votada no Legislativo com a composição atual teria mais retrocessos do que avanços.

A fala de Cida gerou reação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para quem a ministra se precipitou e fez um “prejulgamento” do Congresso.

Por isso, a ideia é que o presidente faça um alinhamento da gestão e comunicação, além de discutir as primeiras medidas a serem encapadas no início do governo.

Lula já havia indicado que marcaria uma reunião com os ministros após tomar posse. “Pretendo logo depois, dois ou três dias, fazer reunião com todos os ministros para dizer o que eu quero que aconteça no país”, afirmou o presidente no último dia 20, data em que finalizou a montagem de seu ministério.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, minimizou a divergência entre os colegas de Esplanada. À Globonews ele disse que ministros têm opiniões, mas devem seguir o posicionamento do presidente, Padilha disse ainda que Costa já deixou claro a posição do Governo.

“É de início de governo, onde os ministros têm opiniões, e podem ter suas opiniões, mas tem uma coordenação de governo, tem um fechamento de posição sobre o presidente, trem um programa”, disse.

O encontro de ministros também ocorrerá após a notícia de que o grupo político da ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), e de seu marido, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho (União Brasil), mantém há ao menos quatro anos vínculos com a família do ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, condenado e preso sob acusação de chefiar uma milícia na Baixada Fluminense.

Lula esteve na noite de terça, pela primeira vez desde que foi empossado, despachando no Planalto.

Na manhã desta quarta, 4, ele foi ao palácio com Rui Costa, também pela primeira vez, e seguiu para a cerimônia de posse de Geraldo Alckmin como ministro do Desenvolvimento.

Com informações Folha de São Paulo

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