Murilo tinha apenas 45 dias e morreu após ser atendido por uma reação alérgica; perícia aponta que superdosagem teve participação significativa na evolução fatal.
A investigação sobre a morte do bebê Murilo, de apenas 45 dias, em Camboriú, ganhou novos desdobramentos. Um laudo da Polícia Científica de Santa Catarina aponta que o recém-nascido recebeu uma dose de adrenalina dez vezes maior do que a prescrita durante atendimento no Hospital Cirúrgico de Camboriú (HCC). A técnica de enfermagem responsável pela aplicação foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
O caso aconteceu no dia 12 de agosto. Murilo foi levado pela mãe ao hospital depois de apresentar uma reação alérgica após consumir fórmula infantil pela primeira vez. Durante o atendimento, o médico avaliou o quadro como uma reação alérgica aguda e prescreveu medicamentos por via intramuscular.
Conforme as informações que constam no laudo, foram prescritos 0,1 miligrama de adrenalina e 0,4 miligrama de dexametasona. Entretanto, a análise dos prontuários indicou que teriam sido administradas ampolas inteiras dos medicamentos.
Dose de adrenalina teria sido dez vezes maior
No caso da adrenalina, Murilo teria recebido 1 miligrama, enquanto a prescrição médica determinava 0,1 miligrama. A quantidade administrada, portanto, teria sido dez vezes superior à prescrita.
A perícia classificou o episódio como uma sobredosagem medicamentosa e apontou que a quantidade excedeu substancialmente a dose pediátrica normalmente calculada de acordo com o peso do paciente.
Pouco depois da administração dos medicamentos, o estado de saúde do bebê piorou. Os registros hospitalares indicaram que a frequência cardíaca chegou a 247 batimentos por minuto, com quadro de taquicardia extrema.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e Murilo acabou transferido para o Hospital Infantil Pequeno Anjo, em Itajaí. O bebê foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sofreu uma parada cardiorrespiratória por volta das 19h10.
Apesar das tentativas de reanimação, Murilo não resistiu. A morte foi constatada às 19h46.
Perícia aponta participação significativa da superdosagem
A análise pericial também considerou que a reação alérgica grave apresentada pelo bebê era uma condição potencialmente fatal. Entretanto, segundo as informações divulgadas sobre o laudo, a perícia concluiu que a administração excessiva de adrenalina teve participação causal significativa na evolução que terminou com a morte de Murilo.
O documento é complementar e, quando foi concluído, exames toxicológicos e anatomopatológicos ainda estavam pendentes.
Técnica de enfermagem foi indiciada
Com o avanço das investigações, a técnica de enfermagem responsável pela administração dos medicamentos foi indiciada por homicídio culposo.
Em depoimento, conforme informações divulgadas sobre a investigação, a profissional teria admitido ter administrado a ampola inteira de adrenalina e declarado que não possuía experiência nesse tipo de procedimento.
A profissional permanece afastada. O Hospital Cirúrgico de Camboriú informou também que os profissionais envolvidos no atendimento seguem afastados enquanto o caso é apurado.
Família cobra respostas
Murilo era filho único. A mãe, Fernanda Santos, vem cobrando esclarecimentos e responsabilização pelo que aconteceu com o bebê.
A Prefeitura de Camboriú havia anunciado a abertura de uma sindicância para apurar o atendimento. Até a divulgação dos novos detalhes do caso, não havia sido informado publicamente o resultado desse procedimento administrativo.
O Hospital Infantil Pequeno Anjo informou que o atendimento prestado após a transferência foi emergencial e compatível com o quadro clínico apresentado pelo bebê.
O indiciamento representa uma etapa da investigação policial e não significa condenação. O caso deverá seguir para as demais etapas da apuração e eventual análise do Ministério Público e da Justiça.
Leia mais…







