Suspeitos vão responder em liberdade, mas com medidas cautelares
A Tribunal de Justiça de Santa Catarina revogou, nesta quinta-feira (23), a prisão preventiva da tia e do sobrinho investigados por envolvimento no caso de envenenamento de servidores de um pronto-socorro em Santa Cecília. A decisão considerou o encerramento da fase de instrução do processo como fator determinante para a mudança da medida cautelar.
Os investigados estavam presos desde outubro de 2025. Nesta semana, foram concluídas as oitivas de mais de 20 testemunhas, além dos depoimentos dos próprios réus, encerrando a etapa de produção de provas orais.
Com isso, o juiz responsável entendeu que não havia mais justificativa para a manutenção da prisão preventiva, conforme o Código de Processo Penal. Segundo o TJSC, a medida inicialmente visava garantir a coleta de provas e evitar interferências nas investigações, como eventual intimidação de testemunhas. Com o fim da instrução, o entendimento foi de que esse risco deixou de existir.
Os acusados passam a responder ao processo em liberdade, mas sob medidas cautelares, como comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com vítimas e testemunhas e impedimento de se aproximarem do pronto-socorro onde os fatos ocorreram. Também foi determinado o uso de tornozeleira eletrônica.
O processo segue em tramitação e entra agora na fase de diligências complementares, antes das alegações finais.
Em nota, o TJSC afirmou que, com o encerramento da instrução processual e a coleta integral das provas orais, não subsistem mais os requisitos que justificavam a prisão preventiva, especialmente o risco decorrente da liberdade dos acusados.
Relembre o caso
O episódio ocorreu em 21 de outubro, quando 12 servidores do pronto-socorro de Santa Cecília apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, tontura, sonolência e dificuldade na fala após consumirem alimentos durante um café da tarde. Nove pessoas precisaram de internação.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, as vítimas ingeriram um refrigerante levado ao local pela tia de um funcionário afastado por denúncias internas. Exames periciais identificaram a presença de altas doses de clonazepam na bebida, medicamento controlado utilizado no tratamento de ansiedade e distúrbios do sono.
As investigações seguem em andamento para o completo esclarecimento do caso.








