Jovens estavam desaparecidos desde 28 de dezembro e apresentavam sinais de tortura; polícia apura possível execução ligada a conflito entre facções criminosas
Os corpos de quatro jovens encontrados em uma vala no município de Biguaçu, na Grande Florianópolis, no sábado (3), apresentavam sinais extremos de tortura e mutilações, o que chocou as autoridades responsáveis pela investigação. Entre as marcas identificadas estavam olhos arrancados, narizes decepados e outros ferimentos graves.
De acordo com os agentes que atenderam a ocorrência, o estado de decomposição dos cadáveres já era avançado. Os quatro homens estavam desaparecidos desde o dia 28 de dezembro. Além das lesões, as vítimas tiveram os cabelos raspados e as cabeças envoltas em lençóis, indicando possível ritualização ou tentativa de intimidação.
O diretor de Polícia da Grande Florianópolis, Pedro Mendes, afirmou que a crueldade da execução e o local do crime — já conhecido por casos de ocultação de cadáveres — são pontos centrais da apuração.
Uma das principais linhas investigativas, segundo a Polícia Militar, é de que os jovens tenham sido torturados e mortos com golpes de faca. A polícia também trabalha com a hipótese de envolvimento em um conflito entre facções criminosas.
As investigações consideram ainda uma possível ligação com um ataque ocorrido em 27 de dezembro, quando dois homens ligados a uma organização criminosa de São Paulo invadiram a comunidade Novo Horizonte, em Florianópolis, área sob influência de um grupo catarinense. A execução dos jovens, naturais em sua maioria de Minas Gerais, pode ter sido uma forma de retaliação.
Dos quatro assassinados, dois possuíam antecedentes criminais: Bruno Máximo da Silva, que teve quatro passagens pelo sistema prisional mineiro entre 2019 e 2023, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, que chegou a ser preso por um dia em 2024. A dinâmica exata do crime e sua motivação só deverão ser esclarecidas com a conclusão do inquérito da Polícia Civil.
Quem são as vítimas
- Guilherme Macedo de Almeida, 20 anos, natural de Guaranésia (MG);
- Bruno Máximo da Silva, 28 anos, natural de Guaranésia (MG);
- Daniel Luiz da Silveira, 28 anos, natural de Guaxupé (MG);
- Pedro Henrique Prado de Oliveira, 19 anos, natural de Araraquara (SP).
Últimos passos antes do desaparecimento
Embora residissem em São José, o último paradeiro confirmado do grupo foi no Centro de Florianópolis. Câmeras de monitoramento registraram ainda dois deles em frente a um edifício no bairro Barreiros, antes do desaparecimento.
Segundo o tenente-coronel Cláudio Boeing, um dos jovens convidou um amigo para ir a um bar no Centro durante a madrugada de domingo. Outro integrante, Bruno Máximo, enviou mensagens dizendo que estava embriagado e que pretendia ver o nascer do sol na Praia do Campeche.
O alerta sobre o desaparecimento foi dado quando um deles faltou ao trabalho e Bruno deixou de entrar em contato com a família no aniversário do filho, na segunda-feira (29). O caso segue sob investigação.








