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A Ilíada – O Poema e o Filme I – Por Adelcio Machado dos Santos

Em primeiro lugar, vale projetar luz sobre o fato de que o poema “A Ilíada” constitui a base do matriz axiológica da cultura ocidental. Todos reconhecem que os princípios inerentes ao Ocidente deitam suas raízes nesta obra – a coragem, o amor, a guerra como atividade nobre e não como carnificina; e, mormente, o misticismo, posto que se tratando de divindades míticas, considerando a ingerência do transcendente no secular.

 

À semelhança do verificado na cultura helênica, fulcro filosófico do Ocidente, a par do Direito Romano, as divindades consistem em entidades dotas de faculdades mitológicas, todavia com comportamento assemelhado ao humano, visto que se pautam pelos mesmos sentimentos – amor, ódio, vingança, ressentimento, comiseração, unilateralidade.

 

Destarte, a obra figura no inconsciente coletivo, personificado até em seu uso na música popular, enfocando o drama do amor que desencadeia a tragédia e a destruição.

 

Por conseguinte, a indústria cultural, nos termos da Teoria Critica emanada da Escola de Frankfurt, soube aproveitar o tema enfocado na “Ilíada”.

 

Neste contexto, um dos veículos mais relevantes da indústria cultural, o cinema, lançou mão do poema e o usou com abundância, produzindo muitas versões midiáticas da obra.

Todavia, a disparidade entre este filme e os demais consiste no grande investimento, desde as cenas épicas até atores e atrizes de renome no elenco, personificando os partícipes no drama desenrolado. Este fato faz a versão sob análise especial.

 

Contudo, o que mais discrimina esta versão dos demais filmes anteriores acerca do poema? Sem dúvida, a discrepância reside em adotar perspectiva totalmente secular, eliminando a dimensão teológica dos eventos, mantendo-se, embora, fiel ao enredo. A compreensão deste fato fica mais acessível na cena da morte de Aquiles – este morre a partir de uma flechada no calcanhar, seu ponto fraco.

 

Deste fato emana o termo metafórico “calcanhar-de-aquiles” para representar o ponto vulnerável de alguém.

 

Todavia, mantém sincronia com a lenda que cerca o personagem Aquiles – semi-deus, imortal, desde que não atingido no calcanhar, ponto que sua mãe o segurou quando o imergiu no rio sagrado que lhe outorgou a imortalidade.

 

 

 

 

 

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Sobre Adelcio Machado dos Santos

Pós-Doutor pela Universidade Federal de Santa Catarina; Reitor da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe.. Diretor do Meio Oeste da Associação Catarinense de Imprensa (ACI). Presidente da Associação Caçadorense de Imprensa (ACIJO). Tesoureiro da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (ABRAJET/SC).

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