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Homem é condenado a 48 anos por feminicídio de namorada de 14 anos em SC

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Homem foi condenado ainda a indenizar a família em R$ 100 mil

Anderson Burigo foi sentenciado a 48 anos, seis meses e 24 dias de prisão em regime fechado pelo feminicídio da então namorada, Maria Gabriella Nunes, de 14 anos. O crime ocorreu em fevereiro deste ano, e o corpo da adolescente foi encontrado às margens do rio Itajaí-Açu, em Navegantes, três dias após o assassinato.

A motivação do crime, segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), foi o desejo de Maria Gabriella em terminar o relacionamento. Burigo atacou a jovem pelas costas com aproximadamente 13 facadas, não dando a ela chance de defesa.

O julgamento, realizado no Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí, foi marcado por forte emoção. Depoimentos do delegado responsável pela investigação, policiais civis e militares, além da mãe e da irmã do acusado, emocionaram os presentes. A mãe da vítima, Débora Alexandre, expressou a dor irreparável: “Ele tirou de mim o meu bem mais precioso. A Gabi era tudo para mim. […] Há quase sete meses minha vida nunca foi e nunca mais será a mesma”.

A promotora de Justiça Mirela Dutra Alberton apresentou as provas contundentes do caso, ressaltando a intolerância à violência contra a mulher. Em um discurso impactante direcionado ao réu, que optou por permanecer em silêncio, ela afirmou: “Quis o destino que uma mulher hoje estivesse aqui em Plenário buscando a responsabilização pelo crime covarde e brutal que o senhor cometeu contra a jovem Maria Gabriella.”

Amigos e familiares de Maria Gabriella acompanharam o julgamento comovidos. Thamiris Pollheim Zabel, amiga de infância da vítima, relatou ter conhecimento das dificuldades que Maria Gabriella enfrentava no relacionamento, mas que, a pedido da amiga, nunca contou à mãe.

O advogado da família, Rômulo Garcia, enfatizou a necessidade de a sociedade acordar para a questão da violência de gênero: “É necessário que o Brasil acorde, que o mundo acorde, que Itajaí acorde, mulher não é objeto”.

O Conselho de Sentença acatou integralmente a denúncia do MPSC, reconhecendo o feminicídio e a ocultação de cadáver. A indenização familiar, inicialmente solicitada em R$ 50 mil, foi elevada para R$ 100 mil. “Nada vai trazer minha filha de volta, mas sinto, ao menos, que a justiça hoje foi feita aqui”, declarou Débora Alexandre, que passou mal durante a leitura da sentença.

O corpo de Maria Gabriella foi encontrado às margens do rio Itajaí-Mirim, em Navegantes, após ter sido jogado no local após o homicídio, que ocorreu no bairro Brilhante, em Itajaí. A condenação de Anderson Burigo é vista como um passo importante no enfrentamento à violência de gênero em Santa Catarina.

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