As investigações fazem parte da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano pela PF em parceria com a CGU
Além das prisões, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais nas cidades de Aracaju, Umbaúba e Cristianópolis. A operação resultou na apreensão de aproximadamente R$ 35 mil em espécie e R$ 68 mil em cheques. Além disso, cinco imóveis, avaliados em cerca de R$ 12 milhões, foram sequestrados.
Segundo a PF, o objetivo da ação é aprofundar as investigações, recuperar o dinheiro desviado da fraude no INSS e garantir a responsabilização dos envolvidos. A corporação destacou em nota que o foco é a “recomposição do erário”.
As investigações fazem parte da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril deste ano pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Naquela ocasião, mandados foram expedidos em 15 estados e no Distrito Federal, com apreensões de bens que superaram a marca de R$ 1 bilhão.
Como funciona a fraude
A fraude no INSS opera através de descontos de mensalidades associativas. Esses valores, que deveriam ser cobrados apenas com a autorização expressa dos aposentados para filiação a entidades de classe, como sindicatos ou associações, foram debitados indevidamente. Milhões de segurados afirmam nunca terem autorizado tais cobranças.
O volume de afetados é impressionante: mais de 3,38 milhões de beneficiários procuraram o INSS para verificar descontos suspeitos. Desses, alarmantes 97% declararam não ter autorizado nenhum tipo de dedução.
Em 2024, o montante total desses descontos ultrapassou R$ 2,8 bilhões, conforme dados do próprio INSS e da CGU. O grande desafio é que nem mesmo o instituto consegue precisar quanto dessa quantia foi debitada de forma ilegal.
A CGU, inclusive, já recomendou ao INSS a suspensão desse tipo de desconto direto nos benefícios dos aposentados, citando a fragilidade nos mecanismos de controle que permitiram a ocorrência dessa fraude.








