O ex-padre da cidade de Blumenau (SC) Alcimir Pillotto, de 71 anos, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar e reverter a sua expulsão do clero por parte do Papa Francisco. A defesa do antigo clérigo tomou a decisão depois do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) considerar que não é responsabilidade da Justiça brasileira julgar o caso.
Pillotto recebeu a notificação do desligamento em 2020, ao ser acusado de revelar a confissão de fiéis e de ter mantido um relacionamento amoroso com sua secretária particular da Diocese de Blumenau, que morava na mesma casa que o ex-padre. A defesa do acusado alega, porém, que a mulher não mantinha qualquer vínculo do tipo com o cliente.
“Muitos padres têm esses secretários, na maioria homens, mas, com o Padre Pillotto, surgiu esse entrevero e desconfiança, por ela ser mulher, o que é um preconceito absurdo, sendo que [ele] nunca foi advertido e [a Igreja] aceitava que morassem na mesma residência”, argumenta o advogado Telêmaco Marrace, em petição.
De acordo com o advogado, a decisão do Papa foi publicada sem que o o Tribunal Eclesiástico, divisão interna da Igreja Católica que julga casos como o de Pillotto, terminasse de organizar a defesa do ex-sacerdote.
“Na minha opinião, a competência vai então para a Justiça Comum, pois envolve um idoso, com câncer, que dedicou sua vida toda à religião e que está abandonado a mercê da sorte, vivendo com um salário mínimo da aposentadoria”, afirmou Marrace ao jornal O Globo.
Ao ser exonerado, Pillotto perdeu o salário eclesiástico, chamado de Côngruas, além do plano de saúde e da casa em que morava em Blumenau. Hoje residente de Guaratuba (PR), ele passa por sessões de quimioterapia e radioterapia, enquanto ainda mora com a ex-secretária envolvida na polêmica.
Mesmo assim, o TJ-SC determinou, em dezembro de 2022, que não cabe à Justiça cuidar do caso do ex-padre. Para a defesa de Pillotto, porém, a Igreja se submete à Constituição Federal e, por isso, usufrui de diversos benefícios, como a isenção de impostos, por exemplo. Além disso, ela relembra que a Santa Sé responde à Constituição brasileira desde tratado assinado com o Brasil em 2008.
Com informações Metrópoles








