Previsão indica risco elevado de enchentes e eventos extremos nos próximos meses
O anúncio de um dos mais intensos episódios de El Niño da década tem preocupado meteorologistas e autoridades. A previsão para os próximos meses em Santa Catarina indica risco elevado de enchentes, deslizamentos e eventos climáticos severos, com cenários comparados aos mais críticos já registrados no estado.
Segundo o meteorologista Piter Scheuer, regiões como o Vale do Itajaí, Vale do Rio Uruguai, Vale do Rio do Peixe e cidades como Rio do Sul, Blumenau e Tubarão devem ficar em alerta redobrado. “Teremos muitos problemas com enchentes. É preciso muita atenção”, afirmou.
A tendência é de chuvas frequentes e intensas entre junho e outubro, acompanhadas de trovoadas, rajadas de vento e possibilidade de eventos extremos, como tornados e microexplosões. O fenômeno, segundo o especialista, pode ter comportamento semelhante ao observado em anos marcantes, como 1983, 1997/1998 e 2015.
A comparação com a histórica enchente de 1983, em Blumenau, reforça a gravidade do cenário. Naquele episódio, a cidade ficou cerca de um mês debaixo d’água, com 49 mortes e mais de 50 mil pessoas desabrigadas. Grande parte da área urbana foi inundada, em uma das maiores tragédias climáticas da história catarinense.
Memória de uma tragédia
Na época, parques industriais foram completamente alagados, trabalhadores ficaram isolados em seus locais de trabalho e famílias enfrentaram dias sem energia elétrica, água potável e comunicação. Hospitais e serviços essenciais funcionavam de forma precária, muitos à luz de velas ou com geradores.
Relatos históricos indicam que a população não contava com sistemas de alerta ou monitoramento meteorológico como os atuais, o que agravou ainda mais a situação. Muitas pessoas permaneceram em suas casas esperando a água baixar, o que não ocorreu por semanas.
De acordo com Scheuer, o pico do fenômeno no Sul do Brasil deve ocorrer entre setembro e outubro. “Promete ser um El Niño com maior robustez. Não é alarmismo, é realidade. Precisamos tratar com seriedade”, alertou.
O meteorologista destaca ainda que o Rio Grande do Sul pode ser o primeiro estado a sentir os efeitos já a partir de maio, com reflexos também no Oeste de Santa Catarina e no Paraná.
O cenário também levanta preocupação em relação a eventos extremos. Mesmo em um período recente de neutralidade climática, o Paraná registrou tornados no Oeste. Com a atuação de um El Niño forte, a tendência é de intensificação desses episódios.









