Ex-integrantes da cúpula do INSS firmam acordo com a Polícia Federal, detalham suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e mencionam empresários e políticos nas investigações
As declarações integram a investigação que apura um suposto esquema de fraudes na autarquia. A formalização do acordo foi revelada na segunda-feira (23). Os investigados estão presos desde novembro, após operação que apura descontos indevidos lançados diretamente sobre benefícios de aposentados e pensionistas.
Celebraram o acordo o ex-procurador do INSS Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis. Ambos integravam a alta cúpula do órgão, com acesso a decisões administrativas estratégicas e a processos envolvendo entidades conveniadas.
De acordo com as investigações, Virgílio teria recebido cerca de R$ 11,9 milhões de empresas relacionadas ao suposto esquema. Parte dos valores, conforme a apuração, teria sido movimentada por meio de contas vinculadas a familiares. Já André Fidelis é suspeito de ter recebido aproximadamente R$ 3,4 milhões entre 2023 e 2024. Segundo as autoridades, os montantes seriam contrapartida pela facilitação de cobranças e pela manutenção de contratos considerados suspeitos.
A investigação aponta que o grupo utilizava associações e entidades para inserir descontos mensais diretamente nos benefícios previdenciários. Em diversos casos, aposentados relataram não ter autorizado as cobranças, percebendo os débitos apenas ao consultar extratos bancários.
Os investigadores também identificaram a atuação de operadores financeiros e empresários apontados como intermediários, responsáveis por estruturar os repasses e assegurar a continuidade das operações. A expectativa é de que os termos da delação detalhem o fluxo dos recursos e indiquem eventuais beneficiários.
Nos depoimentos apresentados à Justiça, os ex-dirigentes mencionaram ainda políticos associados ao chamado Centrão. Entre os nomes citados está a ex-ministra Flávia Arruda, que negou qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva informou que o empresário não possui relação com as supostas fraudes no INSS. Segundo os advogados, ele jamais recebeu recursos ilícitos e confia no esclarecimento dos fatos ao longo das apurações.
As autoridades analisam agora o conteúdo apresentado pelos colaboradores. Acordos de delação premiada costumam incluir documentos, registros bancários e descrições detalhadas da dinâmica das operações. Com base nessas informações, novas fases da investigação poderão ser deflagradas, além da eventual apresentação de denúncias formaais.
O caso reacende o debate sobre os mecanismos de controle e fiscalização das entidades autorizadas a operar descontos em benefícios previdenciários. Enquanto o material é examinado, seguem as oitivas e o cruzamento de dados para verificar a consistência das declarações.
O avanço das delações inaugura uma nova etapa na apuração e pode ampliar significativamente o alcance das investigações nos próximos meses.








