Um trabalhador contratado para fazer o calçamento de uma estrada do interior de Rio das Antas para a Prefeitura fez graves denúncias, na manhã desta quinta-feira, 7, na Polícia Civil, contra a empresa responsável pelas obras.
Elcio Lamp, 33 anos, morador de Nova Erechim, afirmou que está desde segunda-feira no local e que chegou a ficar sem comer. “Eu tinha que implorar e até brigar com o nosso patrão para que pudesse comer”, disse.
Élcio denunciou ainda a falta de carteira assinada. “Nem eu e nenhum dos que estão ali tem carteira assinada”, afirmou.
A casa onde Élcio afirmou estar morando desde segunda é pequena e não oferece nenhum tipo de estrutura para receber a quantidade de funcionários. Foi o próprio responsável pelos trabalhadores, Antônio Carlos Almeida, que informou quantos moram na residência. “Somos em 16”, disse.
Pratos de comida estão jogados pelo chão, além de diversos colchões. As panelas não têm tampas e a geladeira está do lado de fora da residência.
Além disso, Carlinhos, como é conhecido, confirmou que nem todos os trabalhadores têm carteira assinada. “Têm uns que vem e ficam 15 ou 20 dias e então nem vale a pena assinar a carteira. Pagamos pela produção deles”, reconheceu.
Entretanto, Carlinhos citou que não tem contato nenhum com a empresa responsável pelas obras e que, quando precisa, conversa com o irmão dele ou com o prefeito. “Se precisar de alguma coisa, eu converso com o prefeito que é ele que resolve”, informou.
O prefeito Alcir Bodanese afirmou, por telefone, que a obra foi licitada e uma empresa contratada para realizar os trabalhos. “Eu não tenho responsabilidade nenhuma sobre a operação ou maneira de trabalhar”, disse, afirmando que vai entrar em contato com a empresa CSA, que venceu a licitação logo que chegar de Florianópolis.
Entretanto, Bodanese afirmou que participou da indicação do local para os trabalhadores morarem, mas negou conhecer o local. “Nunca fui na casa, mas mandei o meu secretário ir junto para ver se a casa tem condições, água, banheiro, mas a maneira como eles vivem lá dentro eu não sei”, finalizou.
O Boletim de Ocorrência feito por Élcio foi encaminhado pela Polícia Civil para o Ministério do Trabalho. Entretanto, ninguém em Caçador quis dar entrevista.
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