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Catarinense é monitorado com tornozeleira por suspeita de ato terrorista

Resultado de uma investigação sigilosa da Polícia Federal que apontou risco de um ato terrorista no Brasil, um morador de Chapecó (SC) passará a andar de tornozeleira eletrônica e está proibido de comparecer a aeroportos ou escolas. Ele também não pode frequentar cursos ou atividades que envolvam explosivos, armas de fogo ou artes marciais, assim como não tem autorização para deixar a cidade sem prévia comunicação à PF.

A adoção de medidas especiais para restringir os passos e monitorar o empresário Ibrahim Chaiboun Darwiche, dono de um restaurante, foi autorizada pela juíza substituta da 2ª Vara Federal da cidade, Heloisa Menegotto Pozenato. Nas redes sociais, Darwiche diz que é do Líbano e vive no Brasil há muitos anos. A decisão, tomada com base em três artigos do Código de Processo Penal, é “pouco comum”, mas trata­-se de uma “situação diferente, que exige” medidas que levam em conta o “tamanho inimaginável do risco”.

O uso da tornozeleira deverá se estender “no mínimo” até o encerramento dos Jogos Olímpicos no Rio, em agosto. A decisão, tomada no último dia 24 e informada na quarta (1º) à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), é o ponto culminante de uma investigação de quase três anos da Polícia Federal.

O órgão levantou indícios de que Darwiche “vem se preparando com determinação para o desenvolvimento” de um “integrante da guerra santa muçulmana”. “Levando­se em consideração o somatório de indícios, são indicações demais para serem ignoradas”, concordou a juíza Pozenato.

Preparo
Os indícios apontados pela PF são: anotações de que Darwiche vinha tendo, de madrugada, aulas de “estudo/prática de tiro (sniper)” e a apreensão na casa do empresário de um “manual” com “cálculos de distância de alvo, ajustes e correções para disparos”. Darwiche também é autor de um vídeo na internet, no qual “enaltece” o ataque terrorista à revista de humor “Charlie Hebdo”, em Paris; e, segundo os investigadores, mentiu à polícia.

Em depoimento, Darwiche afirmou que, durante viagem que fizera no início de 2013, “ficara baseado em Istambul”, na Turquia. Porém, ao analisar a série de telefonemas dados por ele no período, a polícia concluiu que ele passou pelo menos 87 dias na Síria, em uma cidade que, segundo a PF, “estava sob domínio da organização Estado Islâmico”.

Procurado pela Folha na tarde desta quinta-­feira (2), Darwiche não havia dado retorno a um pedido de entrevista até a conclusão desta edição. A reportagem conversou por telefone com uma pessoa que se identificou como sua irmã e deixou recado. “Na verdade ele ainda está tratando sobre essa questão, então não é uma coisa muito aberta, é uma coisa bem particular, não é algo que seja para divulgação. Eu vou trocar uma ideia com ele”, disse a irmã.

Manipulado
A mãe de Darwiche contou à PF que, após “a viagem à Turquia”, o comportamento do filho “modificou­-se […] aparentando estar sendo influenciado e manipulado por outras pessoas”. Darwiche negou a autoria do vídeo, mas um representante da comunidade islâmica do sul do país confirmou à PF que o empresário havia produzido e publicado a gravação, que ele “já tinha apresentado tendência radical pretérita” e que “depois do vídeo Ibrahim foi desligado imediatamente do ILAEI” (Instituto Latino Americano de Estudos Islâmicos), de Maringá (PR).

A pedido da Folha, dois juízes federais com larga experiência em processos criminais comentaram a decisão da Justiça em tese, sem conhecer os detalhes. Vallisney de Souza Oliveira, responsável pelos processos da Operação Zelotes, e o desembargador federal Fausto Martin De Sanctis, que atuou em processos derivados de diversas operações da PF, afirmaram que as medidas ordenadas pela juíza podem ser pouco comuns, mas têm amparo no Código de Processo Penal.

Com informações da Folha de São Paulo.

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