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Caminhoneiros aguardam medidas do governo antes de decidir sobre greve nacional

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Caminhoneiro cobra cumprimento do frete mínimo e critica alta do diesel enquanto ameaça paralisação nacional

As lideranças dos caminhoneiros decidiram aguardar a publicação oficial das medidas prometidas pelo governo federal antes de definir a realização de uma possível greve nacional. Em reunião realizada nesta quarta-feira (18), a categoria destacou que somente a formalização das normas permitirá avaliar se as demandas foram efetivamente atendidas.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que, sem um acordo concreto, a tendência é de uma paralisação “igual ou maior” à registrada em 2018, envolvendo caminhoneiros autônomos, celetistas e motoristas de aplicativo.

O principal ponto de tensão é o cumprimento do piso mínimo do frete. O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que o governo trabalha em uma regulamentação mais rígida para punir empresas que descumprem a tabela. Entre as medidas previstas está a chamada suspensão cautelar, que poderá impedir transportadores e contratantes irregulares de operar antes mesmo da conclusão de processos administrativos.

Segundo o ministro, o modelo atual perdeu eficácia, já que as multas passaram a ser tratadas como “custo operacional” pelas empresas. A proposta, conforme explicou, é interromper imediatamente a prática irregular ao identificar condutas deliberadas, com possibilidade de suspensão tanto de contratantes quanto de transportadores.

Além do frete, o preço do diesel segue como um dos principais fatores de insatisfação da categoria. Mesmo após medidas do governo federal, como a zeragem de impostos federais (PIS/Cofins) e a criação de uma subvenção de R$ 0,32 por litro — com impacto estimado de R$ 30 bilhões —, o valor do combustível voltou a subir.

Na última semana, o preço médio nas bombas passou de R$ 6,10 para R$ 6,58. O aumento foi impulsionado, entre outros fatores, pelo reajuste de 11,6% anunciado pela Petrobras nas distribuidoras, equivalente a R$ 0,38 por litro, em meio à alta do petróleo no mercado internacional.

A categoria também cobra maior clareza nas regras sobre pedágios e intensificação da fiscalização nas rodovias. O clima é de expectativa entre os representantes do setor, que têm uma nova reunião marcada para esta quinta-feira (19), logo após a publicação das medidas no Diário Oficial.

Caso o conteúdo não atenda às reivindicações, os caminhoneiros não descartam uma paralisação de grandes proporções, com potencial para impactar o abastecimento e a economia do país, relembrando o cenário registrado há oito anos.

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