A cultura hip hop de Caçador deu um passo histórico no sábado (4) com a inauguração do Estúdio Comunitário Salvador, o primeiro estúdio de gravação gratuito e comunitário de todo o Oeste Catarinense. O evento reuniu artistas, produtores e a comunidade em um dia marcado por aprendizado, intercâmbio cultural e celebração.
A programação de inauguração contou com uma feira criativa, um pocket show da MC Versa e uma acirrada batalha de rima valendo R$500, onde o MC Tleipe se consagrou campeão. Jovens da região também participaram de um workshop de produção musical, gravando suas primeiras faixas no novo espaço.
Um grito contra a invisibilidade
O Estúdio Salvador é uma realização do Ponto de Cultura BARCO – Batalhas de Rima e Rodas Culturais Contestado. O uso do espaço é totalmente gratuito, bastando apenas um cadastro socioeconômico e agendamento direto com o coletivo.
Diego Ahmod, agente territorial de cultura e co-produtor do Estúdio Salvador, emocionou-se ao falar sobre o significado do projeto:
“É muito emocionante estar participando desse momento tão importante pra nossa região, nossa cultura e nossa história. O Contestado tem uma população majoritariamente periférica e não branca, e é o tipo de local onde o hip hop floresce naturalmente. Há mais de 30 anos existem BBoys, grafiteiros, DJs e MCs atuando aqui, mas o movimento sempre foi marginalizado, criminalizado, discriminado, invisibilizado.”
Ahmod destacou a luta dos pioneiros e a importância do estúdio como um marco de reconhecimento: “A inauguração deste estúdio é um grito contra essa invisibilidade. Nossa cultura existe, é real, é forte e tem um movimento organizado. Vamos seguir lançando novos artistas, sem nunca esquecer quem veio antes, quem pavimentou esse caminho e resistiu, quem sofreu violência policial por usar boné de aba reta e calça larga.”
Conexão com a história de luta do contestado
O Estúdio Salvador nasceu com o propósito de ser um ponto de acesso e oportunidade, oferecendo aos artistas locais uma estrutura profissional para gravar, aprender e criar de forma gratuita, com apoio da cena cultural.
Na cidade que carrega em sua história a memória da Guerra do Contestado e a resistência do povo caboclo, o projeto se conecta a uma longa história de luta por espaço, voz e autonomia, dando suporte a uma cultura que, por décadas, batalhou para ter sua legitimidade reconhecida.









