Ministro do TCU afirma que carro de luxo foi vendido ao lobista do escândalo do INSS antes da operação da PF e que não o conhecia

O veículo estava na casa do filho do lobista, em Brasília, no dia 23 de abril, quando a PF cumpriu mais de 200 mandados de busca e apreensão. Registros da investigação mostram que o BMW ainda pertencia formalmente a Thallys Mendes dos Santos de Jesus, esposa do ministro do TCU, que desde 2023 tem entre suas atribuições fiscalizar as ações do INSS e coibir práticas como os descontos indevidos de mensalidade associativa sobre aposentadorias.
Esquema de lavagem de dinheiro e suspeita de propina
Segundo a PF, a empresa Brasília Consultoria, de propriedade do “Careca do INSS”, era utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo entidades ligadas à “farra dos descontos indevidos”. A investigação aponta também para o pagamento de propina a pelo menos três dirigentes do INSS.
De acordo com a PF:
O próprio lobista teria transferido um Porsche de R$ 500 mil para a esposa do ex-procurador-geral do INSS, Virgílio de Oliveira Filho, que foi afastado do cargo no dia da operação.
A PF identificou R$ 31 milhões em repasses de seis entidades ao “Careca do INSS”. Desse valor, R$ 9,3 milhões foram transferidos pelo lobista para pessoas ligadas a dirigentes do instituto entre 2023 e 2024.
Além do ex-procurador, pagamentos foram feitos ao filho do ex-diretor de Benefícios, André Fidelis, e ao ex-diretor de Integridade, Alexandre Guimarães.
Nessa terça-feira (20), a PF apreendeu mais cinco carros de luxo (dois BMW, dois Porsches e um Land Rover) do lobista, escondidos na garagem de um prédio em Brasília.
O que diz o ministro do TCU
O ministro Jhonatan de Jesus afirmou ao Metrópoles que o BMW X1 apreendido foi comprado no ano passado pelo pai de sua esposa em uma concessionária, e que o pai dela, que possui uma das maiores lojas de revenda de veículos em Roraima, deu o carro à filha.
Segundo Jesus, a venda do veículo ao lobista ocorreu neste ano, por R$ 350 mil, valor de tabela. Ele garantiu que não conhecia o “Careca do INSS” e que o negócio foi intermediado por um advogado amigo. “Não é que ele foi feito depois da operação. Nós entregamos o carro antes e foi pago antes de qualquer operação [da PF]. Não tinha nada que desabonasse, era um processo de venda normal. Ela [esposa] estava em viagem, e, quando chegou, foi apenas concluída a transação formal do carro [para a empresa do lobista]”, disse o ministro. Ele acrescentou que houve um atraso na transferência por questões documentais.
Jhonatan de Jesus declarou estar tranquilo quanto à legalidade da transação e afirmou que não foi contatado pela Polícia Federal sobre o ocorrido. O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, por sua vez, tem negado envolvimento no esquema de fraudes e alegado que sempre atuou na venda de automóveis.
Conforme revelado pelo Metrópoles, o “Careca do INSS” atuava firmando acordos de cooperação técnica entre entidades e o INSS para permitir descontos de mensalidade associativa direto da folha de pagamento dos aposentados. Ele cobrava 27,5% sobre cada mensalidade de filiado que conseguia para essas entidades, por meio de call centers.








