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Apesar de melhora no mapa de risco de SC, não é hora de baixar guarda, diz especialista

Santa Catarina vem apresentando sinais de melhora em relação à pandemia do novo coronavírus, assim como mostra a atualização do mapa de risco, divulgado no último sábado (10), com a redução de regiões classificadas no nível mais grave.

No entanto, o infectologista Martoni Moura e Silva lembra que ainda não é o momento de “baixar a guarda” e alerta para a presença de variantes e a velocidade da vacinação que segue lenta.

Atualmente, oito das 16 regiões do Estado estão classificadas como grave (laranja) e outras oito estão em nível gravíssimo (vermelho). Assim como destaca o infectologista Martoni Moura e Silva, este movimento é visto em todo o Brasil e é fruto da vacinação.

“Devemos responsabilizar a imunização por essa melhora. Isso porque não mudou o comportamento das pessoas e, muito menos, a adoção de medidas preventivas. É um cenário animador, mas que não devemos baixar a guarda. Os cuidados precisam ser mantidos, assim como a atenção para os primeiros sintomas”, destaca o infectologista.

Após sete meses de vacinação, 15% da população de Santa Catarina ainda não atingiu completou o ciclo vacinal, ou seja, que recebeu as duas doses, conforme atualização do Vacinômetro nesta segunda-feira (12).

O cálculo é feito tendo por base a estimativa de 7,2 milhões de habitantes, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Ainda assim, estudo realizado pelo Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), indica que houve redução no número de mortes entre as pessoas com 80 anos ou mais, primeiro grupo a receber as doses de vacinas.

Levando em consideração o período de dezembro de 2020 até junho deste ano, houve queda de 27% para 20% dos óbitos neste grupo, conforme os dados do Necat.

Por outro lado, assim como destaca o estudo, houve aumento na porcentagem de mortes no grupo entre 40 a 59 anos. A taxa passou de 18%, registrada em dezembro de 2020, para 25%, sendo o grupo mais afetado, levando em consideração dados levantados em junho deste ano.

A análise, assinada pelo professor Lauro Mattei, titular do departamento, também aponta que a tendência é identificada como reflexo do processo de vacinação. No entanto, o infectologista alerta que não é ideal que haja flexibilizações por enquanto.

“Não é momento de diminuir o rigor da medidas restritivas, porque a imunização está sendo trilhada de maneira lenta. Poderíamos ter uma vacinação mais expressiva e não podemos empolgar e jogar a oportunidade de controlar a pandemia fora”, completa.

Enquanto isso, as variantes do novo coronavírus vão ganhando território pelo mundo. Entre as inúmeras que vem aparecendo, a Delta é tratada com maior cuidado, sendo detectada em 98 países, conforme alerta a OMS (Organização Mundial da Saúde).

“O poder de disseminação é até 95% maior que a primeira cepa. Diante disso, volto a ressaltar a necessidade de acelerar a vacinação para diminuir o impacto da doença”, explica Martoni.

Laboratórios já começam a publicar estudos científicos sobre a resposta imune das doses usadas diante da variante Delta. Entre eles, a revista científica Nature aponta que duas doses das vacinas da Pfizer ou da Astrazeneca geram resposta imune contra a variante em 95% dos pacientes, mesmo que ela seja capaz de escapar de alguns anticorpos monoclonais de laboratório.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a Coronavac apresentou bons resultados contra a variante Delta do coronavírus em testes realizados em laboratório, mas ainda faltam dados populacionais sobre a proteção da vacina em relação à variante originária na Índia.

Já a Johnson & Johnson anunciou que a vacina Janssen, de dose única e produzida pela farmacêutica, é eficaz contra a variante Delta com uma resposta imunológica que dura pelo menos oito meses.

Mapa de risco

Antes de explicar como estão as regiões catarinenses após a atualização, o ND+ detalha como é definida a classificação, realizada pela SES (Secretaria de Estado da Saúde).

São avaliados quatro pontos, que compõem os indicadores para definir o nível de risco de determinada região. Confira quais são eles e o que cada um representa:

Evento sentinela: Ocorrência de mortes por Covid-19 e o comportamento da pandemia. Conforme a atualização, as regiões ainda registram alta ocorrência;

Transmissibilidade: Variação no número de confirmação positiva e casos infectantes;

Monitoramento: Percentual de positividade de exames RT-PCR do Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), onde mais de 30% dos exames testam positivo em todo o Estado;

Capacidade de atenção: Ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), reservado para pacientes com Covid-19. Apenas a região da Grande Florianópolis – classificada como moderada (azul) – não está em situação gravíssima (vermelho).

O que é levado em consideração
A metodologia da matriz leva em consideração os comportamentos desde 5 de fevereiro de 2021, onde a coleta de dados é realizada às sextas-feiras, com divulgação aos sábados. A nova atualização será realizada no próximo sábado (17).

Como está cada região
Entre os pontos de destaque, 15 regiões se encontram como gravíssimo (vermelho) na capacidade de atenção, ou seja, com lotação das UTI (Unidade de Terapia Intensiva) destinado para tratamento de adultos com Covid-19 acima de 70%.

Somente a Grande Florianópolis está no nível moderado (azul), o mais brando. Já o Médio Vale do Itajaí apresentou todos os índices no nível gravíssimo.

Alto Uruguai Catarinense: Grave (laranja)

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave (laranja);
Transmissibilidade: Grave (laranja);
Monitoramento: Grave (laranja);
Capacidade de atenção: Gravíssimo (vermelho).

Alto Vale do Itajaí: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Alto Vale do Rio do Peixe: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Carbonífera: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Extremo-Oeste: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Alto (amarelo);
Transmissibilidade: Gravíssimo;
Monitoramento: Alto;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Extremo Sul: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

For do Rio Itajaí: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Gravíssimo;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Grande Florianópolis: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Alto;
Capacidade de atenção: Moderado.

Laguna: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Médio Vale do Itajaí: Gravíssimo

A região do Médio Vale se destaca por ser a única com todos os índice no pior nível, o gravíssimo.

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Gravíssimo;
Monitoramento: Gravíssimo;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Meio-Oeste: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Alto;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Nordeste: Gravíssimo

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Gravíssimo;
Transmissibilidade: Gravíssimo;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Oeste: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Alto;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Planalto Norte: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Alto;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Serra catarinense: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Alto;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

Xanxerê: Grave

Evento sentinela (Taxa de óbitos a cada 100 mil habitantes por semana): Grave;
Transmissibilidade: Grave;
Monitoramento: Grave;
Capacidade de atenção: Gravíssimo.

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