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Apae de cidade gaúcha diz ter doações canceladas após ser incluída em lista de ‘boicote a petistas’: ‘faz falta para a merenda’

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Ijuí, no Noroeste do Rio Grande do Sul, registrou queda nas doações após ser incluída em uma lista de boicote a empresas, profissionais e entidades consideradas “petistas”. As mensagens são compartilhadas nas redes sociais por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) contrários ao resultado das eleições em 30 de outubro.

Após a vitória de Lula (PT), listas de boicote começaram a circular no estado. Um especialista ouvido pelo g1 afirma que casos como esse podem gerar indenizações por dano moral.

De acordo com a presidente da Apae de Ijuí, Avani Brizzi Zwanziger, a associação passou a receber ligações de doadores cancelando suas contribuições.

“A gente teve várias pessoas que nos ligaram cancelando doações por causa dessa lista. Faz falta para a merenda e o atendimento de assistência social “, diz.

A Apae de Ijuí atende 598 pessoas com deficiência Intelectual ou deficiência múltipla, das quais 240 são estudantes da escola mantida pela entidade. Segundo a presidente da associação, o cancelamento das doações afeta, principalmente, a compra de alimentos para a merenda, já que muitos dos atendidos são de baixa renda e dependem da refeição oferecida no local.

“O cancelamento de 10 ou 15 pessoas já dá um impacto negativo”, explica Avani.

Na sexta-feira (4), a Apae de Ijuí divulgou uma nota relatando o ocorrido, destacando ser uma “entidade apartidária”. No comunicado, a associação mencionou que diretores e profissionais têm posições políticas pessoais, mas que não representam a Apae institucionalmente. Leia a nota abaixo.

A repercussão da notícia de cancelamento das doações, no entanto, provocou uma reação de solidariedade.

“Agora, a partir de ontem [domingo, 6], começaram a vir doações em função das mídias. A gente vem recebendo valores de pessoas de todo o Brasil”, afirma a presidente.

Boicote

Uma série de empresas e profissionais liberais do RS relata que apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgam nas redes sociais listas incentivando boicote a quem seria petista. Pessoas que não declararam voto ao atual presidente também seriam pressionadas.

g1 reuniu quatro relatos de moradores de Sananduva, Gravataí, Teutônia e Porto Alegre incluídos em listas ou expostas em redes sociais por conta de seus posicionamentos políticos (ou da falta de posicionamento).

“Eles criaram esse grupo começando a retaliar esse pessoal, colocando que eram todos petistas, dizendo que não era para colocar dinheiro ali”, diz um comerciante de Sananduva, que prefere não ser identificado. Ele levou o caso à Polícia Civil, que ainda não definiu o enquadramento dado aos relatos.

Em Teutônia e Gravataí, as listas geram constrangimento aos expostos como “petistas”, mesmo não manifestando apoio ao partido. “O que me chateou foi que alguns empresários incentivaram isso sem perceber que, em algum momento, eles podem ser boicotados”, afirma um homem que trabalha com imóveis.

Na Capital, uma nutricionista teve o posicionamento exposto na rede por uma apoiadora de Bolsonaro. Apesar da recomendação contrária da seguidora, a profissional foi procurada por novos clientes, solidários a ela depois da repercussão.

Para um especialista em direito administrativo e eleitoral consultado pelo g1, os casos podem representar dano moral ou concorrência desleal e devem ser denunciados. Ele cita os episódios em que empresas foram denunciadas por coação eleitoral de funcionários e fala em “assédio invertido”.

Com informações G1 

 

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