Por Jonathan Ribeiro
A ameaça de um “tarifaço” de 50% nos produtos brasileiros por parte do governo de Donald Trump nos Estados Unidos está balançando a economia nacional e, em Santa Catarina, já se veem os primeiros reflexos, como as férias coletivas anunciadas por uma empresa do Oeste catarinense, com forte ligação exportadora para o mercado americano. Diante de um cenário tão complexo, a resposta política deveria ser de união e estratégia, mas a reação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) sugere o contrário, expondo uma postura que, no mínimo, levanta questionamentos sobre sua real intenção.
De um lado, o Brasil mobiliza esforços diplomáticos e políticos. Uma comitiva, com a iniciativa do senador Nelsinho Trad (PSD) e a participação de nomes como Esperidião Amin (PP), está a caminho de Washington. O objetivo é claro: dialogar, defender os interesses estratégicos do Brasil, focar em comércio exterior, investimentos, cadeias produtivas, agricultura e segurança jurídica. Como bem lembrou o senador Amin, Brasil e Estados Unidos têm 200 anos de amizade, uma relação que merece ser iluminada por números oficiais e diplomacia, não por impasses. Essa é a essência da política externa sensata: negociar.
Do outro lado, surge a surpreendente reação de Eduardo Bolsonaro. Em um vídeo publicado em seu Instagram, o deputado licenciado, que está nos EUA e tem defendido sua permanência como um “exílio”, disparou: “o empresariado não tem que vir aqui nos Estados Unidos. Não vão conseguir resolver nada.” E mais, criticou até “colegas de partido” que se juntam a outros parlamentares (inclusive do PT) na delegação, reforçando que eles “não vão conseguir resolver nada”.
Essa postura não é apenas pessimista; ela beira a irresponsabilidade. Enquanto o Brasil precisa de todas as suas forças unidas para defender empregos e a economia, o deputado opta por desqualificar o diálogo antes mesmo que ele comece. Dizer que “não haverá recuo” e que o Brasil tem que “dar um primeiro passo naqueles pontos da carta do Trump”, sugerindo a votação de uma “anistia”, é, no mínimo, confuso e alheio à realidade de um país que busca manter sua soberanidade e dignidade.
É inadmissível que, em um momento de tamanha incerteza econômica, com o risco iminente de milhares de demissões e o fechamento de empresas, um representante do povo brasileiro, que deveria estar defendendo os interesses do país, desestimule a diplomacia e o diálogo. Aonde vai a lógica de Eduardo Bolsonaro? Enquanto a diplomacia e o Congresso trabalham para evitar um desastre econômico, o deputado parece mais interessado em manter uma narrativa de confronto, sacrificando, talvez, a própria capacidade de negociação do Brasil por uma agenda política pessoal ou familiar.
O Brasil precisa de soluções, de portas abertas, de negociação. Não de mais conflito ou de figuras que se recusam a ver a gravidade da situação. A responsabilidade de um parlamentar é defender o Brasil e seus cidadãos. Descreditar as iniciativas de diálogo e a própria capacidade de negociação do país em um momento crítico é uma escolha política que, infelizmente, pode custar muito caro aos trabalhadores e empresários brasileiros.








