Operação foi baseada em informação falsa; 18 policiais foram afastados e caso é apurado pela Corregedoria e Polícia Civil
Segundo o comando da Brigada Militar, o episódio foi um “grande mal-entendido com desfecho trágico”. De acordo com o comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, nenhuma das informações repassadas pelos presos se confirmou. “Houve o entendimento do agricultor de que estava sendo roubado e, do outro lado, por parte dos policiais, de que havia uma agressão oriunda de criminosos”, afirmou.
A versão oficial da BM aponta que Marcos Nornberg estaria portando uma arma de fogo, não teria obedecido às ordens e efetuado disparos contra os policiais, o que teria provocado um confronto que resultou em sua morte. No local, os agentes apreenderam uma carabina semiautomática e cerca de R$ 27 mil em dinheiro.
Versão da família
A viúva do agricultor, Raquel Nornberg, contesta a narrativa policial. Segundo ela, o casal foi surpreendido durante o sono e os agentes não teriam se identificado. “A gente achou que era bandido, jamais imaginamos que era polícia”, relatou. Raquel afirmou ainda que foi obrigada a se ajoelhar sobre cacos de vidro, enquanto o marido, produtor de morangos e milho, tentava compreender a situação.
Investigações
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, se pronunciou pedindo “rigorosa apuração” do caso e ressaltou que, embora a polícia seja preparada, “não é imune a erros”. A Corregedoria-Geral da Brigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM), afastou os 18 agentes envolvidos e recolheu suas armas.
A Polícia Civil também investiga o caso. Entre os pontos apurados estão a origem da pista falsa, a conduta dos policiais durante a operação e a análise de imagens de câmeras de segurança da propriedade para reconstituir a dinâmica dos fatos. As investigações devem esclarecer se houve falha de inteligência, erro de interpretação ou divulgação indevida do endereço, além de verificar se os agentes se identificaram corretamente durante a abordagem.
Em nota, a Brigada Militar reiterou que a operação foi planejada a partir de informações recebidas após a prisão de dois suspeitos no Paraná, ligados a um roubo ocorrido dias antes na área rural de Pelotas, e afirmou que colabora integralmente com as apurações.








