A Associação Empresarial de Caçador (ACIC) realizou, nesta quinta-feira (14), o painel “Vozes que Conectam, Ações que Previnem”.
A iniciativa voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. O encontro reuniu representantes do poder público, segurança, assistência social e sociedade civil para debater estratégias de prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de apoio no município. O Painel “Vozes que Conectam, Ações que Previnem” foi uma realização conjunta da FACISC, ACIC, Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e do Governo do Estado de Santa Catarina, com apoio do Núcleo de RH, Núcleo da Mulher e da CREDICOMIN.
A ação integra o Movimento Estadual do setor empresarial catarinense pelo enfrentamento à violência contra a mulher, por meio da campanha “Aqui Não”, que busca mobilizar empresas e instituições na construção de ambientes mais seguros e conscientes.
A mediação do painel foi conduzida pela vice-presidente da ACIC, Liziane Rotta Padilha. Participaram das discussões a promotora de Justiça Dra. Luciana Leal Musa, a delegada de Polícia Dra. Marina Cordela, a assistente social da Secretaria Municipal de Assistência Social, Lilian Capelin, o major Marcelo Correia Macedo, comandante da Polícia Militar de Caçador, e Carol Freitas, assistente social da Associação Maria Rosa (AMAR).
Durante a abertura, foram apresentados dados que reforçam a gravidade da violência contra a mulher em Santa Catarina. Segundo informações divulgadas no evento, o estado registrou 52 feminicídios em 2025 e outros 12 casos nos três primeiros meses de 2026, Sendo que 71% ocorreram em relações íntimas, praticados por companheiros ou ex-companheiros.
Dados do Mapa do Feminicídio do Ministério Público de Santa Catarina apontam que Caçador está entre os municípios com maior risco concreto de feminicídio.
Outro dado destacado é que mais de 73% das vítimas nunca tiveram acesso a medidas protetivas, evidenciando fragilidades na rede de apoio antes do crime acontecer. O cenário é alarmante e se reflete na sobrecarga dos serviços de proteção: os abrigos do município estão lotados, acolhendo mulheres, crianças e até idosos, o que evidencia que o acolhimento institucional é sempre uma medida extrema, acionada quando não há outra alternativa segura.
Uma responsabilidade coletiva
Ao longo do painel, os participantes reforçaram que o enfrentamento à violência contra a mulher deve ser uma responsabilidade coletiva, envolvendo empresas, instituições públicas, forças de segurança e a sociedade.
A vice-presidente da ACIC, Liziane Rotta destacou que o setor empresarial possui papel essencial nesse processo, já que as empresas também são espaços de convivência, escuta e transformação social.
Durante a entrevista concedida após o painel, a promotora de Justiça Dra. Luciana Leal Musa ressaltou que a principal orientação para mulheres em situação de violência é romper o silêncio e procurar ajuda. “O silêncio perpetua a situação de violência e protege o agressor”, afirmou.
Ela destacou que existem diversos canais de acolhimento e denúncia, como Ministério Público, delegacias, assistência social, além de formulários online e canais anônimos. A promotora também chamou atenção para a importância do apoio familiar e social sem julgamentos. “É fundamental que as mulheres saibam que serão acolhidas com compreensão e um olhar generoso”, completou.
Outro ponto debatido foi a continuidade da proteção e do acolhimento às vítimas. Atualmente, 108 mulheres vivem sob medidas protetivas de urgência em Caçador, todas consideradas em risco de vida, o que exige










