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A voz da comunidade ecoa na Câmara: Alencar Mendes sofre sua primeira derrota na gestão atual

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Por Jonathan Ribeiro

A noite da última segunda-feira (7) marcou um momento significativo na política de Caçador. Por uma esmagadora maioria de 12 votos a 1, a Câmara Municipal rejeitou em primeira votação o Projeto de Lei do Executivo que visava extinguir as emendas impositivas da Lei Orgânica do Município. Essa foi a primeira grande derrota do prefeito Alencar Mendes em sua atual gestão, e ela veio acompanhada de um forte recado do Legislativo e da própria comunidade.

As emendas impositivas, mecanismo aprovado pela Legislatura anterior, são um instrumento vital para a descentralização do orçamento. Elas permitem que os vereadores direcionem 3% da receita corrente líquida do Município para ações específicas, com 2% para emendas individuais (sendo metade para a saúde) e 1% para as bancadas. Na prática, isso significa que parte do dinheiro público pode ser aplicada diretamente em demandas levantadas por entidades, associações comunitárias e diversas organizações da sociedade civil.

Por que a rejeição foi tão expressiva?

O debate na Câmara foi intenso e revelou a profunda valorização das emendas impositivas pela maioria dos parlamentares. Eles argumentaram que as emendas são uma ferramenta essencial para o fortalecimento do trabalho social e comunitário. Vereadores são procurados diariamente por essas entidades, que dependem desses recursos para manter e expandir seus serviços, muitos dos quais complementam ou até substituem ações que deveriam ser do poder público.

Além disso, a manutenção das emendas garante maior participação do Legislativo na definição das prioridades orçamentárias. Isso é crucial em uma democracia representativa, onde o vereador é a ponte mais direta entre o cidadão e a gestão dos recursos municipais.

O único voto favorável à proposta do Executivo veio do vereador Jonatas Maia (Bainho), do PL. Ele justificou seu voto como um “protesto” contra o uso que, em sua visão, pode ser eleitoreiro das emendas. Bainho defendeu que a prerrogativa de definir a aplicação dos recursos orçamentários cabe ao Executivo e sugeriu que os vereadores busquem emendas em outras esferas, como já faz, que até o momento, só cumpre o papel para qual foi eleito

Um sinal da sociedade civil

A presença maciça de representantes de entidades locais na sessão desta segunda-feira não foi por acaso. Eles se manifestaram veementemente contra a aprovação do projeto, deixando claro o impacto que a extinção das emendas teria em suas atividades. Essa mobilização é um forte indicativo de que a população de Caçador reconhece a importância desse instrumento para o desenvolvimento social e a autonomia das associações.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Lei Orgânica, o projeto ainda passará por uma segunda votação, com um intervalo mínimo de dez dias. No entanto, o resultado da primeira votação serve como um alerta claro para a administração municipal. A comunidade e seus representantes na Câmara mostraram que estão vigilantes e dispostos a defender os mecanismos que garantem a participação popular e o apoio direto às iniciativas que beneficiam a cidade.

Resta saber se o Executivo de Caçador irá reconsiderar sua posição diante de uma derrota tão expressiva e do clamor da sociedade civil. O episódio reforça a importância do diálogo e da colaboração entre os poderes, especialmente quando o assunto envolve a destinação de recursos que impactam diretamente a vida dos cidadãos.

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