O movimento “O Sul é o Meu País” voltou a ganhar força após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), principalmente por conta da votação contrária a ela em SC, PR e no RS. Pelo Facebook, diversas pessoas começaram a incluir em suas linhas do tempo imagens do movimento e afirmações sobre uma possível nova república.
Na prática, o movimento existe há mais de 20 anos, e mantém uma diretoria e associação legalizada. O presidente é Odilon Freitas e os membros são das mais diversas cidades dos três estados do Sul, contando ainda com embaixadores em alguns países.
Através da página oficial do Movimento no Facebook, várias informações foram postadas desde o domingo, trazendo justificativas que garantem a continuidade das ideias, mas que não acarretem em violência armada.
Há até indicação para quem quiser criar uma comissão municipal do movimento em cada cidade.
Em outra Página, considerada como Fan Page oficial do movimento, mais informações também estão sendo disseminadas.
Outras páginas de apoio ao movimento foram criadas, baseadas em determinadas cidades e podem ser encontradas com uma simples busca no Google.
Próximo de Caçador, um grupo de Santa Cecília foi criado e conta com 372 membros. “A proposta é uma grande luta ideológica a qual compartilhamos do mesmo ideal: A INDEPENDÊNCIA DO SUL!”, diz a descrição do grupo.
Um evento, com o nome de O Sul é o meu país, está agendado para o dia 1º de novembro, indicando mobilização “em todas as ruas do país”. 2,2 mil pessoas, das 11 mil convidadas, confirmaram a participação. O evento foi criado por moradores de Lages, SC.
Impostos
Em uma resposta à Rádio CBN, de Curitiba, o presidente do movimento destaca dados do Portal da Transparência que mostram, segundo ele, o que foi “surrupiado” do Sul pelo Governo Federal.
“Nos últimos três anos, fomos roubados em exatos R$ 249.077.549.348,35. Nos anos de 2011, 2012 e 2013, Brasília surrupiou do Sul em impostos R$ 334.438.162.587,91. E sabe quanto retornou para os três estados do Sul? Míseros R$ 85.360.613.239,56”, disse Odilon Freitas, baseado nos dados divulgados no Portal da Transparência.
Uma nação com seleção e municípios fortes
Um Estado do tamanho da França, que privilegia os municípios e tem uma grande seleção de futebol. Esse é o país vislumbrado pelo movimento.
Até agora, os debates indicam que o Estado sulista adotaria um modelo descentralizado de poder batizado de “Confederação Municipalista”. “A vida real acontece nos municípios. Estados e União são ficções”, diz Celso Deucher, secretário geral do Gesul (Grupo de Estudos Sul Livre).
A principal diferença em relação ao Estado brasileiro seria a inversão da lógica da arrecadação tributária, diz ele. Os municípios ficariam com 70% do arrecadado e a Confederação com o restante – apenas para manter as Forças Armadas e um Parlamento ao estilo sueco, que só se reúne quando surge a necessidade de convocação. “Não queremos criar uma classe de burocratas sustentados pelos impostos, como acontece no Brasil”, afirma Deucher.
Além da questão tributária, outros fatores que motivariam a separação são o descontentamento com a democracia representativa brasileira e ausência de autonomia legislativa dos atuais estados brasileiros – que hoje têm restrições para editar leis.
Deucher também diz que, com o novo país, haveria ainda uma suposta capacidade maior de reação contra injustiças. De quebra, mesmo sem ser fã do futebol, ele vislumbra um país com uma ótima seleção. “Muitos dos melhores jogadores e técnicos do mundo são da nossa região” gaba-se Deucher.
Dados
Em uma eventual separação dos três estados do Sul, o país que emergiria seria relativamente rico para os padrões latino-americanos:
Modelo político: Confederação municipalista
Território: 576 mil km² (Maior que a França)
População: 29 milhões de habitantes
SC: 6,727 milhões
PR: 11,08 milhões
RS: 11,20 milhões
PIB: R$ 786,4 bilhões
SC: R$ 170 bilhões
PR: R$ 287,9 bilhões
RS: R$ 310,5 bilhões
IDH: 0,82 (similar ao do Chile)








