Esquema envolvia troca de regalias por presentes e serviços; ex-diretor está preso preventivamente
Uma denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelou um esquema de corrupção dentro do Presídio Masculino de Lages, na Serra catarinense. Três pessoas foram denunciadas: o então diretor da unidade, um detento e a esposa dele.
De acordo com as investigações, o ex-diretor teria se associado ao preso e à mulher dele para a prática de troca de favores ilegais. Em contrapartida a benefícios concedidos ao detento, ele receberia vantagens como carnes nobres, bebidas alcoólicas, incluindo whisky e vinho, além de serviços em uma boate.
A denúncia aponta a prática dos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, todos previstos no Código Penal.
O esquema foi descoberto no fim de fevereiro durante a Operação Carne Fraca, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (Geac), órgãos ligados ao MPSC.
Segundo o Ministério Público, o ex-diretor teria concedido uma série de privilégios ao detento, como autorização de visitas, transferências entre unidades prisionais, cancelamento de punições disciplinares, antecipação de decisões internas, redução de pena e até tentativa de interferência indireta junto ao Judiciário.
Para os promotores, não se tratava de uma relação isolada, mas de um vínculo contínuo baseado em confiança e troca de interesses ilícitos.
O ex-diretor está preso preventivamente desde o início da operação e foi exonerado do cargo semanas depois. Já o detento, que estava em liberdade condicional, retornou ao sistema prisional por decisão judicial nesta semana.
A denúncia foi aceita pela Justiça, mas o processo tramita em segredo, e novos detalhes ainda não foram divulgados.








