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Fé e devoção: Túmulo de “Menino Milagreiro” é ponto de peregrinação em finados

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Afogado

Clemenceau da Cunha Henriques morreu afogado em 1934, aos quatro anos de idade, e se tornou parte da crença popular em Araranguá

O Dia de Finados (2 de novembro) transformou o Cemitério Cruz das Almas, no bairro Urussanguinha, em Araranguá, em um centro de fé e devoção popular. Um dos túmulos mais visitados, repleto de flores e pedidos, foi o de Clemenceau da Cunha Henriques, conhecido na região como o “menino milagreiro”.

Clemenceau faleceu tragicamente em 1934, aos quatro anos de idade, ao cair da balsa que realizava a travessia do Rio Araranguá. Desde então, a história do filho caçula de João Gentil e Otília da Cunha Henriques passou a integrar o imaginário local, com inúmeras “graças” atribuídas à sua intercessão.

O Milagre da Chupeta e a Devoção Popular

O túmulo do menino é hoje um ponto de peregrinação que atrai fiéis em busca de cura e auxílio. A devoção se popularizou após um milagre específico, conforme explica Vaner Luiz Batista, o Vaninho, um dos mais fervorosos devotos de Clemenceau.

“Uma pessoa foi pedir uma graça para o filho que estava tendo problemas de saúde. Era uma criança recém-nascida que tinha convulsão e esta pessoa prometeu que se alcançasse a graça, colocaria chupeta e biquinho no túmulo dele. E esse milagre se espalhou na região e o povo começou a pedir graça no túmulo do Clemenceau”, relata Vaninho.

O Guardião da Memória

Vaninho, que afirma ter recebido diversas graças do menino, se tornou o zelador do jazigo. Ele conta que, em uma ocasião, pediu ao próprio Clemenceau uma prova de sua história e, um dia no cemitério, encontrou Maria de Lourdes da Cunha Henrique, que se identificou como irmã do menino.

Após o falecimento de Maria de Lourdes e dos demais irmãos, Vaninho obteve a autorização da família para cuidar e restaurar o jazigo. O devoto dedica-se a manter viva a memória de Clemenceau, tendo inclusive composto uma canção em sua homenagem e escrito um livro sobre a história.

Recentemente, Vaninho atribuiu ao menino milagreiro a cura de um caso grave de saúde:

“Há 3 anos eu peguei a Covid-19. O médico me desenganou, disse que eu ia morrer. A minha mulher estava no túmulo dele e disse: ‘tu vai ajudar o meu marido’. E eu estou vivo,” emociona-se.

Clemenceau da Cunha Henriques não é reconhecido como santo pela Igreja Católica, permanecendo como uma figura forte da fé e da devoção popular do município de Araranguá.

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