Veterinário e produtor de Ibiam falam do atual cenário da cadeia leiteira preocupante que já afeta toda a produção brasileira
Para detalhar os impactos dessa crise, o programa RBV Agro (da RBV Rádios) conversou com o médico veterinário Célio Lucas Ramos, de Ibiam, que acompanha de perto a realidade dos produtores locais.
Custos altos e falta de remuneração justa
Segundo o veterinário, a atividade tem sido onerada pela alta de insumos e pela falta de remuneração adequada. “A questão hoje é a mão de obra, que está cada vez mais cara. Se o produtor precisa contratar alguém, ou comprar combustível, ração, medicamentos, tudo isso onera a atividade. E se não há uma remuneração suficiente, vai se tornando cada vez mais difícil continuar”, afirmou Célio Lucas Ramos.
Outro fator que agrava a situação é o aumento dos juros sobre financiamentos. “Os investimentos são cada vez maiores: máquinas, animais, manutenção. E os juros altos acabam atingindo diretamente as propriedades, que já não têm uma remuneração satisfatória”, complementou o especialista.
Com o preço do litro de leite em queda, os produtores são forçados a reduzir a ração e os alimentos dos animais, o que, segundo Ramos, afeta a sanidade do rebanho em uma reação em cadeia: “Se o dinheiro não entra na propriedade, tudo se complica”.
Famílias desistem da atividade
O veterinário confirmou que muitos produtores têm manifestado a intenção de desistir da atividade ou reduzir drasticamente o número de animais. “Alguns falam que vão parar nos próximos anos. É triste, porque muitos têm tradição na atividade e dependem dela para viver”, lamenta Ramos, que reforça a necessidade de valorização: “O produtor de leite trabalha todos os dias do ano, sem feriado, sem descanso. Ele precisa ser valorizado.”
Família resiste à crise após 40 anos de tradição
Entre os que tentam resistir à crise está o produtor Rodrigo Peretti, cuja família atua há 40 anos na produção de leite em Ibiam. Rodrigo relatou à RBV Rádios que a margem de lucro está mínima e os custos dispararam.
“Tivemos um aumento de até 30% no preço do nitrogênio, usado na lavoura e nas pastagens. E o leite teve seis quedas seguidas no preço, somando uma baixa de quase 20%. Fica muito difícil manter o equilíbrio”, desabafou Peretti.
Apesar das perdas, ele afirma que não pensa em abandonar, mas terá que reduzir o rebanho para fazer caixa e “passar por mais essa crise”. Para Rodrigo, é urgente que o setor tenha mais incentivo ao consumo e que o governo reveja a política de importação de leite, que desestimula o produtor nacional.
O veterinário Célio Ramos defendeu que, apesar do apoio dado pela prefeitura de Ibiam com subsídios e assistência técnica, é preciso que os governos estadual, federal e os laticínios olhem com mais atenção para o produtor. ”








