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64% dos exportadores de SC estimam incremento nos embarques em 2016

A Análise do Comércio Internacional Catarinense revela que 64,3% das empresas catarinenses consultadas estimam incremento nas exportações de 2016 em relação a 2015. A publicação, lançada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), nesta quarta-feira (24), mostra que 31,6% das companhias projetam incremento de até 10%; 19,4% preveem alta de até 30%; 5,1% calculam aumento de até 50% e 8,2% estimam alta de mais de 50% nos embarques para este ano. O levantamento, realizado com 140 empresas de pequeno, médio e grande portes, aponta que 26,5% das companhias ouvidas projeta estabilidade nos valores exportados e 9,2% preveem redução.

“De um lado as perspectivas para os próximos anos são mais favoráveis, devido à recente elevação dos preços do petróleo e aos investimentos em infraestrutura que vêm sendo realizados na China. Por outro lado, as previsões macroeconômicas são dificultadas pelas incertezas provocadas pela saída do Reino Unido da União Europeia”, afirmou o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, na abertura do evento.

O levantamento informa que para 55% das empresas ouvidas, as receitas de exportação aumentaram em 2015 em relação ao ano anterior, enquanto para quase 22% as exportações mantiveram-se estáveis no período. Outros 22% declararam que valor exportado em 2015 foi inferior ao de 2014. Parte das companhias disseram que a desvalorização do real foi um dos motivos para o incremento. Mas um número significativo delas informou que o crescimento foi em função da abertura de novos mercados importadores e da captação de novos clientes nos países para os quais já exportam.

“É positivo o fato de quase 80% das empresas exportadoras indicarem a intenção de buscar novos mercados em 2016, principalmente na América do Sul, América Central e América do Norte. No entanto, a pesquisa demonstra que ainda é relativamente reduzido o número de mercados importadores atendidos”, ressalta Côrte. Para ele, estes resultados revelam a necessidade de ampliar as exportações do Estado para um maior número de mercados e de incentivar principalmente a produção de bens que vem demonstrando maior dinamismo nas importações mundiais.

Côrte defendeu ainda a ampliação das exportações das micro e pequenas empresas. “Elas precisam ser incentivadas de forma que seja mais relevante sua participação sobre o total exportado pelo Estado, possibilitando também o incremento no número de exportadoras em base constante e sólida”, afirmou. Ele lembrou que a FIESC tem concentrado esforços em iniciativas que proporcionam a essas empresas condições de atuar no mercado externo, a exemplo da criação da Câmara de Desenvolvimento da Micro e Pequena Indústria, além do apoio de entidades como a CNI, Sebrae,  Apex-Brasil, Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Receita Federal.

O chefe da divisão de programas de promoção comercial do MRE, Gláucio José Nogueira Veloso, falou sobre a ida da Apex-Brasil ao Ministério, que ainda está em fase de transição. “Acreditamos que a nova realidade terá o ganho de novas ferramentas na área de promoção comercial, com um novo instrumental de apoio aos exportadores brasileiros”, disse. Ele lembrou que a Apex-Brasil tem grande capilaridade, especialmente nos municípios brasileiros. “O Itamaraty dispõe no exterior de uma rede de setores de promoção comercial nos cinco continentes. Essa nova realidade une as capilaridades e poderemos atuar de maneira coordenada”, concluiu. Veloso propôs um memorando de entendimento entre o Itamaraty e a FIESC para colocar à disposição da indústria catarinense os 104 setores de promoção  comercial que o governo mantém no exterior.

O coordenador-geral de programas de apoio à exportação do MDIC, Eduardo Weaver, disse que de janeiro a julho deste ano 2,7 mil novas empresas brasileiras iniciaram as atividades de exportação. Desse total, 270 são catarinenses. Segundo ele, apesar do cenário econômico desfavorável nos últimos anos, os indicadores de comércio exterior vêm apresentando uma recuperação importante. Na opinião dele, o câmbio influenciou o resultado, mas o ambiente de cooperação, com a participação de muitas entidades promovendo ações efetivas para as exportações também contribuiu.

Em 2015, para quase um quarto das empresas (24,5%) a exportação representou até 5% do faturamento total. Para 23,5% a contribuição dos embarques foi de 6% a 10% do faturamento. 28% das companhias que responderam à pesquisa disseram que 28% das exportações representaram mais da metade do total faturado.

O setor agroalimentar foi o responsável pela maior parte das exportações industriais catarinenses no ano passado, enquanto o de produtos químicos e plástico foi o mais representativo nas importações. Apenas os setores de celulose e papel, cerâmico, economia do mar e móveis e madeira apresentaram aumento no valor embarcado.

O valor das exportações catarinenses alcançou, em 2015, um montante de US$ 7,6 bilhões, o que significou uma queda de 15% em relação ao ano de 2014. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 12,6 bilhões, uma retração de 21% em relação ao total importado no ano anterior. Como resultado, o déficit comercial em 2015 foi de quase US$ 5 bilhões, que, embora negativo, foi o menor desde 2011.

Em termos de volume comercializado, as exportações catarinenses aumentaram 2% em relação a 2014. A diferença nas variações entre o volume exportado e o correspondente faturamento em dólares mostra a redução dos preços internacionais dos produtos catarinenses. A significativa queda nas importações, por outro lado, reflete tanto a desvalorização do real perante o dólar quanto à desaceleração do nível de atividade interna do País.

wpp

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